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Podem faltar sementes para o plantio de algodão em MT

7 Out 2004 - 15h27
Será realizada hoje, no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em Brasília, uma reunião entre técnicos da instituição, delegados federais de agricultura, representantes de várias associações de cotonicultores do País, e também da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), Fundação Centro-Oeste (Campo Verde), Fundação MT e Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem). Na pauta está o estabelecimento de regras para o plantio da safra 04/05, em virtude da detecção de algodão transgênico no Estado. O plantio tem início a partir do final de novembro.

Em função dos resultados de testes, realizados com materiais coletados pelas fiscalizações do Mapa em Mato Grosso, que confirmam transgenia no algodão estadual, o Ministro Roberto Rodrigues determinou que exigirá testes de presença de organismos geneticamente modificados (OGM) em todas as sementes de algodão usadas no plantio das próximas safras.

"A reunião vai discutir como essa determinação será implementada na prática e quais os critérios que serão adotados para coleta de amostras", explica o presidente do núcleo centro da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Benjamin Zandonade.

Ninguém gosta de falar sobre o assunto, mas na verdade, os cotonicultores, "apesar de toda boa vontade", vêem a medida com ressalvas, pois fazer testes de transgenia em todos os lotes de sementes que estão e virão ao Estado será uma tarefa de "proporções gigantescas".

Com a previsão de manutenção de área para a próxima safra, ou seja, 400 mil hectares (ha) - que demandam cerca de 12 quilos/há - serão utilizados para a próxima safra cinco mil toneladas (t) de sementes. "o que via requerer centenas de testes, talvez seja um teste para cada lote, mas isso será uma das deliberações de hoje e os transtornos vão variar de acordo com o potencial de cada cotonicultor", aponta uma fonte que integra a diretoria de uma associação de cotonicultores, e que preferiu não se identificar.

Ela esclarece ainda que as 70 mil sacas de sementes que foram suspensas no Estado, na segunda quinzena de setembro por determinação da DFA, e não interditadas. "Tiveram amostras retiradas e a utilização do material será autorizada assim que os resultados laboratoriais chegarem", esclarece a fonte.

O temor é de que a determinação possa comprometer o plantio, visto que o produtor terá de esperar o resultado chegar para saber se vai poder plantar ou não. Outro agravante, segundo uma associação que representa os produtores, é que os quatro laboratórios credenciados pelo Mapa ficam em São Paulo, o que gerar atrasos. O produtor poderá ficar sem sementes para plantar em tempo hábil, pois em algumas cultivares há, por parte do Mapa, a comprovação de contanimantes.

"A decisão do ministro é de interditar todos os lotes que contiverem resultado positivo. E o produtor, terá tempo hábil e recursos para correr atrás de outras sementes, o mercado vai ter material para ofertar?", alerta.

A fonte completa ainda que a reunião "é a medida mais democrática que o Mapa poderia tomar, mas que todos os fatores, como a real logística dos testes, têm de ser levados em consideração".

Confirmação

No último dia 20, o Mapa confirmou em Mato Grosso o resultado positivo para a presença OGM no algodão, sendo quatro em amostras das folhas e seis em sementes. Identificados os lotes de amostragem no Estado, três produtores foram autuados pelo plantio irregular e duas empresas produtoras de sementes. Os nomes são mantidos sob sigilo pelo Ministério.

Em função dos resultados, a Delegacia Federal da Agricultura em Mato Grosso (DFA/MT) suspendeu a comercialização de 70 mil sacas de sementes.

Os infratores, que ainda respondem a processo administrativo, estão sujeitos a uma multa de R$ 18 mil, mais 2,5 vezes o valor da produção comercial, prevista na nova Lei de Sementes. Além disso, há uma multa de 16 mil Ufirs descrita na Lei de Biossegurança.

No dia 11 de agosto, a DFA/MT divulgou em coletiva de imprensa, em Várzea Grande, onde está sediada, que 217 hectares, das três propriedades fiscalizadas naquele mês, são de OGM. O material confirmado foi obtido em três propriedades distintas na região sudeste de Mato Grosso, onde está concentrada 61% da produção estadual. A sudeste de Cuiabá, estão municípios como Primavera do Leste e Campo Verde que concentram boa parte da produção.

Na época em que a DFA divulgou o tamanho da área de OGM, a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), enfatizou os 217 hectares (ha) identificados pelo Ministério da Agricultura como transgênicos, correspondem a 0,05% dos 400 mil ha cultivados na safra 03/04.
 
 
Diário de Cuiabá

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