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Brasil

PMDB decide abandonar o governo

13 Dez 2004 - 11h08
A ala oposicionista do PMDB aprovou neste domingo, na convenção extraordinária do partido, o desligamento dos peemedebistas que não entregarem seus cargos no governo e o lançamento de candidatura própria nas eleições presidenciais de 2006.

O PMDB que apóia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu esvaziar a convenção e do total de 519 convencionais 311 (quase 60%) compareceram.

No início da noite, o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), conseguiu derrubar liminar obtida na Justiça na noite de sábado pelos peemedebistas ligados ao Palácio do Planalto e que suspendia a convenção.

Prazo esgotado

Na moção aprovada durante a convenção, ficou decidido que o desligamento dos peemedebistas que não deixarem seus cargos no governo será comunicado à Justiça Eleitoral.

"O prazo para eles deixarem o governo já se esgotou. A convenção já considera afastados do partido os que permanecerem no governo. Mas não há expulsão", explicou Temer. Segundo ele, os peemedebistas que ficarem no governo não poderão ser candidatos pelo PMDB, nas próximas eleições.

A moção garantiu ainda que o partido irá sustentar a governabilidade, apoiando os projetos do governo coincidentes com o programa do PMDB, mas "sem nenhuma vinculação com cargos ou vantagens de qualquer natureza".

Governistas

Com a vitória dos oposicionistas, o PMDB governista fica enfraquecido para pleitear mais uma vaga na Esplanada dos Ministérios na reforma ministerial que deverá ser feita em janeiro pelo presidente Lula.

"Dar mais ministérios ao PMDB é engordar demais um lado minoritário do partido", afirmou o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos. "Se eles ganharem mais ministérios, vai ser surpreendente e vai mostrar que o presidente Lula é um péssimo negociante", disse o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).

Apesar da decisão da convenção a favor do desembarque do PMDB do governo, os oposicionistas estão cientes de que os ministros das Comunicações, Eunício Oliveira, e da Previdência, Amir Lando, não deixarão seus cargos.

"Eles não vão desembarcar do governo. Mas a decisão da convenção deixa explícito que o PMDB não vai ser partido satélite nem do PT nem do governo", observou Jarbas Vasconcelos.

Sete Estados

A convenção foi realizada sem a presença do PMDB governista. Mas apenas sete Estados não enviaram delegados ao encontro: Alagoas, Amazonas, Paraíba, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Rondônia e Maranhão.

Até o PMDB do Amapá, controlado pelo presidente do Senado, José Sarney, enviou o ex-senador Gilvam Borges para a convenção.

Dos seis governadores do partido, não compareceram Luiz Henrique da Silveira (Santa Catarina) e Rosinha Matheus (Rio de Janeiro), que sofreu um acidente de carro hoje pela manhã.

Estiveram presente 311 convencionais, que representam 396 votos (há convencionais que têm direito a mais de um voto). Do total de votos computados, 384 foram a favor do lançamento de candidatura própria nas eleições de 2006.

 

Estadão

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