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Platinos fazem Parreira decretar "pés-no-chão"

6 Out 2004 - 11h06
A perspectiva existe, mas Carlos Alberto Parreira não quer nem ouvir falar dela. Diante de uma seqüência que pode deixar a seleção brasileira em situação privilegiada para garantir presença na Copa do Mundo de 2006, o treinador recorre a episódios protagonizados pelos vizinhos Uruguai e Argentina para evitar qualquer relaxamento e confessar que, sim, a campanha do Brasil no qualificatório está aquém do esperado.

Divulgação  
Parreira ainda lamenta pontos perdidos no jogo contra o Uruguai em Curitiba
Líder com 16 pontos, o Brasil pode chegar a 25 ainda neste ano, quando, além dos duelos contra Venezuela, sábado, e Colômbia, dia 13, enfrenta o Equador, em novembro. Mas a campanha argentina na corrida para o Mundial de 2002 e os tropeções do time pentacampeão, principalmente o contra o Uruguai, em casa, fazem o treinador avaliar que a campanha da seleção "poderia estar melhor".

"Há uns pontos (perdidos) que até agora a gente não digeriu direito, como aquele do Uruguai, por exemplo", lembrou Parreira. No jogo de setembro de 2003, em Curitiba, o Brasil chegou a abrir 2 a 0, mas permitiu a virada adversária e escapou da derrota graças a um gol de Ronaldo aos 41min do segundo tempo. "Bobeamos muito", admitiu.

O treinador avalia que a seleção precisa de no mínimo sete pontos ainda em 2004 para manter a liderança das eliminatórias. "Temos que ganhar esses dois próximos jogos e buscar o que puder lá no Equador", afirmou. O topo, no entanto, não é sinônimo da tranqüilidade que, Parreira bem sabe, virá apenas com a classificação para o Mundial da Alemanha.

"Só depende da gente, mas (a situação) não está definida. Sempre dou o exemplo da Argentina, que fez uma campanha excepcional (para a Copa de 2002), mas só foi conseguir a classificação três jogos antes de terminar (as eliminatórias). Então a gente tem que continuar brigando pelos pontos", enfatizou o tetracampeão.

Na qualificatório para 2002, a seleção argentina cumpriu campanha impecável, e obteve a vaga a quatro rodadas do fim da disputa. Somou 43 pontos, 12 a mais que o segundo colocado (o Equador) e com 13 vitórias em 18 jogos. A única derrota dos hermanos foi para o Brasil, terceiro com 30 pontos e que se garantiu na Ásia apenas na última rodada, justamente com uma vitória contra a rival deste sábado, a Venezuela, por 3 a 0.

A precaução também se deve ao retorno das mescla de adversidades que tanto causou problemas ao Brasil na briga para ir ao Mundial da Ásia: pouco - ou nenhum - treinamento aliado aos efeitos da altitude. No caso, os 2.860 m de Quito, local da partida contra os equatorianos.

E a certeza de preparação inadequada se deve ao fato da rodada que encerra a disputa das eliminatórias neste ano estar marcada para uma "data-Fifa", destinada a amistosos internacionais. Para esse tipo de evento, os clubes são obrigados a liberar seus jogadores apenas dois dias antes dos jogos das seleções, e não cinco, como ocorre para jogos oficiais.

Dessa forma, a comissão técnica terá que abrir mão da preparação na Granja Comary, centro de treinamento da CBF, e já na apresentação dos jogadores viajar com o grupo para o local da partida. "É um jogo que considero de alto risco", avisou Parreira. "Mas temos que pensar nos nove pontos, pensar grande. Temos time para ganhar na altitude", completou.

Como consolo, o caminho da Argentina, vice-líder com 15 pontos, também não é dos mais agradáveis. Nesta rodada, os hermanos recebem o Uruguai em Buenos Aires e vão a Santiago enfrentar o Chile. O Brasil não venceu nenhuma dessas duas seleções.
 
 
UOL Esporte

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