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Brasil

Plantio de soja no Mato Grosso será reduzido

22 Set 2004 - 08h25
No Mato Grosso, a euforia com a soja passou e os produtores, assustados com o aumento dos custos de produção, estão refazendo as contas. A conclusão é de que o crescimento de área não deve ser tão exuberante como se imaginava. Se no início do ano os agricultores projetavam aumento de 15% a 20% da área plantada, agora os cálculos são mais modestos e apontam para um crescimento de, no máximo, 5%. "O assunto dominante por aqui não é a falta de chuvas para o início do plantio, mas o aumento de 25% dos custos de produção", diz Helmute Lawisch, presidente do Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde (MT). Ao lado de Nova Mutum, Lucas é um dos primeiros municípios a plantar soja em todo o País.

Segundo Lawisch, o aumento dos custos abrange energia elétrica, defensivos e óleo diesel, mas os grandes vilões são o adubo e as sementes. "Os preços da safra 2004/05 devem ser remuneradores, mas com estes custos nosso lucro e capacidade futura de investir diminuem drasticamente", diz. Em Lucas, as chuvas esparsas permitiram que apenas seis produtores iniciassem o plantio em 15 de setembro. Agronomicamente, os produtores de Lucas ainda têm dez dias para plantar a safra de verão a tempo de colher em janeiro e plantar a safrinha de milho ou algodão no início do próximo ano.

De acordo com o Departamento de Economia Rural, órgão ligado à secretaria de Agricultura do Paraná, entre 33 produtos pesquisados, o que mais subiu foi a semente de soja. A saca de 50 quilos sofreu reajuste de 63% entre agosto deste ano e igual período do ano passado. Os adubos tiveram reajuste médio de 23% e os defensivos, de 8%. Se fossem ativos nos quais as pessoas pudessem investir, seriam melhor negócio que o dólar, que caiu 1%, ou a inflação, que subiu 7,5% no período. As sementes perderam apenas para a bolsa de valores, que no mesmo período teve alta de 68%. Segundo os fornecedores, as sementes se destacaram nesse ranking porque foram as primeiras a receber o impacto do aumento de custos. "O produtor de cultivares também usou adubos e defensivos e sofreu com o aumento da energia elétrica e do gás, usado na secagem das sementes", diz Andréia Santos, secretária-executiva da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso.

A indústria de adubos se defende lembrando que só está repassando o aumento dos preços do petróleo, que chegou a US$ 44 o barril, maior patamar desde a primeira guerra do Golfo, no início dos anos 90. "A queda dos preços das commodities e o aumento do adubo aconteceram praticamente ao mesmo tempo, e acabaram impactando o produtor", diz Eduardo Daher, secretário-executivo da Associação Nacional de Difusão de Adubos (Anda).

Daher diz que outras dificuldades estão se somando, com dificuldade de acesso tanto ao crédito oficial quanto ao privado. "O governo está mais criterioso e a indústria esmagadora, após o calote de 2003, se tornou muito conservadora", diz.

Menor uso de tecnologia?

Em Nova Mutum (MT), Enio Comin, presidente do sindicato rural, garante que o uso de tecnologia na região será 20% menor. "Os recursos oficiais, que tradicionalmente são liberados entre maio e junho, saíram somente em agosto. Com isso, a compra de insumos foi concentrada e os preços subiram muito", diz. "O resultado é que muita gente não conseguirá comprar a quantidade de adubo planejada e vai reduzir o consumo", afirma.

Coincidência ou não, as vendas de adubos em agosto foram 5,1% menores em relação a igual período do ano passado e totalizaram 2,6 milhões de toneladas, informa a Anda. "Ainda é muito cedo para se dizer o motivo. Pode ser menor uso de tecnologia ou conseqüência do atraso na liberação de crédito".
 
 
 
 
Gazeta Mercantil

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