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15 de Março de 2007 08h52

PFL opta pela sigla DEM para Partido Democrata

O futuro Partido Democrata - novo nome do PFL - não quer ser reconhecido pela sigla PD. Já que a lei permite abreviar o nome do partido, os neodemocratas vão usar a marca "DEM" para se identificar a partir do dia 28 deste mês, quando a mudança de sigla  será oficializada.

A iniciativa é mais um passo no sentido de reforçar o vínculo simbólico entre o partido e a defesa da democracia - pesquisas internas mostraram que isso pega bem junto ao eleitorado. As mesmas pesquisas mostraram que o nome Partido da Frente Liberal provocava resistências, já que o termo "liberal" tem alta carga negativa. Não foi por outro motivo que, no segundo turno da eleição presidencial, o PT adotou a bem-sucedida estratégia de reforçar os ataques ao "neoliberalismo" e às privatizações.

No dia 28, Jorge Bornhausen passará o comando do partido para Rodrigo Maia (DEM-RJ), filho do prefeito do Rio, Cesar Maia. Gilberto Kassab - que herdou a Prefeitura de São Paulo e um Orçamento de mais de R$ 20 bilhões com a renúncia do tucano José Serra, atual governador do Estado - vai galgar vários degraus na escala partidária: deve presidir o Conselho Político do DEM.

Bornhausen não vai se afastar de todo. Como presidente da Fundação Liberdade e Cidadania - novo nome do Instituto Tancredo Neves, "think tank" pefelista -, ele manterá influência nos rumos do partido, que ganhará um novo estatuto e uma nova carta de princípios.

A proposta do alterar a sigla surgiu após o resultado eleitoral do ano passado, o pior da história para os pefelistas.

Criado em 1985 como dissidência do governista PDS (sucessor da Arena) para apoiar Tancredo, o PFL embarcou no governo José Sarney e ajudou o então presidente a conquistar um quinto ano de mandato - na época, o pefelista Antonio Carlos Magalhães, então ministro das Comunicações, foi acusado de distribuir concessões de rádio e TV em troca de votos no Congresso.

Fernando Collor se elegeu em 1990 após eleger Sarney como alvo principal, o que não impediu os pefelistas de aderirem a seu governo. Após o impeachment de Collor, o partido ganhou cargos no governo Itamar Franco. A seguir, integrou a aliança que elegeu o tucano Fernando Henrique Cardoso em 1994 e em 1998. Só a partir de 2003, com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, o partido experimentou a ida para a oposição e a perda de controle sobre verbas federais.

Em 1998, o PFL elegeu seis governadores. Em 2002, o número diminuiu para quatro. Em 2006, o único pefelista eleito foi José Roberto Arruda (um ex-tucano), no Distrito Federal - as derrotas em tradicionais redutos como Bahia e Maranhão provocaram  uma crise no partido, que também viu encolher sua bancada na Câmara dos Deputados.

 

 

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