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PF marca paralisação de 24 horas para 28 de março

23 Mar 2007 - 05h09
Acomodado na cadeira de ministro da Justiça há uma semana, Tarso Genro vê-se às voltas com seu primeiro problema administrativo: delegados, agentes, peritos e escrivães da Polícia Federal marcaram para o próximo dia 28 de março, quarta-feira da semana que vem, uma paralisação nacional de 24 horas.

Trata-se de um movimento de advertência. Conforme noticiado aqui no blog, a corporação da PF declarara-se em “estado de greve” no último dia 15 de fevereiro. Cobrava, já então, uma promessa de reajuste salarial que fora feita pelo diretor-geral da Departamento de Polícia Federal, Paulo Lacerda, e por Márcio Thomaz Bastos, o antecessor de Tarso.

 

O aumento não veio. Daí a paralisação de um dia, que poderá evoluir para uma greve nacional. A promessa de Lacerda e Thomaz Bastos consta de um documento assinado há mais de um ano, em 2 de fevereiro de 2006. Previa um reajuste de 60%, que seria pago em duas parcelas.

 

A primeira parcela, de 30%, foi honrada pelo governo. A segunda, mais 30%, deveria ter sido incorporada aos contracheques dos funcionários da PF em dezembro de 2006. Mas o compromisso, embora firmado pelo próprio Thomaz Bastos, não foi honrado. Daí o “estado de greve”, a paralisação de um dia e a perspectiva de greve nacional.

 

O presidente da ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), Sandro Torres Avelar, diz que o documento que traz a compromisso de aumento salarial resultou de uma arrastada negociação, iniciada ainda em 2005. Antes de prometer o reajuste de 60%, diz ele, Thomaz Bastos consultara a equipe econômica do governo. Por isso, espera que Tarso Genro dê conseqüência ao acordo.

 

A ADPF sustenta que sempre houve uma simetria entre os salários da PF e os vencimentos do Ministério Público e da magistratura. Hoje, porém, estabeleceu-se uma inédita assimetria. Segundo Torres Avelar, um agente da PF, em início de carreira, recebe salário líquido de cerca de R$ 4 mil. O contracheque de um delegado principiante, feitos os descontos de praxe, de R$ 7 mil. “É menos da metade do que recebem os procuradores e juízes”, diz ele.

 

A diferença estaria levando a uma sangria dos quadros da PF. Funcionários do órgão estariam prestando concursos para outras carreiras públicas, que oferecem remuneração mais vistosa. Foi o que ocorreu, por exemplo, com parte da equipe que trabalhou na investigação do escândalo das sanguessugas.

 

A elite da PF espera que a notícia da marcação do dia nacional de paralisação amoleça as resistências do governo. Do contrário, diz-se que a greve será inevitável.

 

 

 

Folha Online

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