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AGÊNCIA BONITO THIAGO
Brasil

PCC arrecadaria R$ 102 mil com extorsão a presos

18 Ago 2007 - 10h38

 

O Ministério Público de São Paulo denunciou integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) que durante um ano traficaram drogas e extorquiram presos e parentes de presos na Penitenciária de Mirandópolis, no interior do Estado. Segundo o MP, os presos eram obrigados a pagar uma mensalidade para sobreviver às ameaças de execuções e, quando não tinham dinheiro, o pagamento era exigido dos parentes. A extorsão chegou a movimentar R$ 102 mil de outubro de 2005 a agosto de 2006, segundo o promotor do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) José Reinaldo Carneiro.

De cordo com o promotor, o esquema funcionou entre setembro de 2005 e setembro de 2006 e era liderado pelos detentos Wilson Roberto Cuba e Alexandre Euclides Palermo.

Agentes
Segundo o MP, advogados e agentes penitenciários apoiaram o esquema, entregando celulares e conta bancária para a quadrilha e servindo de pombo-correio.

Conforme a denúncia, o dinheiro seria lavado por Carina Aparecida Bueno, companheira de Cuba, e Adriana Cortopassi Assumpção, companheira de Palermo, que estavam em liberdade. Segundo os promotores, elas faziam os depósitos bancários e movimentações em duas contas bancárias, no município de Santo André e no bairro Tucuruvi, zona norte de São Paulo.

Para dissimular as origens do dinheiro, as duas teriam dissimulado operações e feito diferentes aplicações em contas de "laranjas" e outros comparsas não identificados.

Um das contas investigadas na quebra de sigilo foi a de Juracir Ângelo da Silva. Ele teria emprestado a conta para um vizinho, o agente penitenciário Stefan Augusto Batista Custódio, que posteriormente foi demitido do serviço público pela acusação de receber dinheiro para introduzir celulares nas celas da penitenciária de Mirandópolis. Custódio também é suspeito de entregar extratos de contas para os líderes da quadrilha.

A comerciante Marina Segura de Oliveira disse ter pago mais de R$ 3 mil ao PCC enquanto seu filho esteve preso na penitenciária. "Quando ele saiu, no começo de 2006, ainda disseram que ele ia ficar devendo, mas mudamos de Estado para fugir deles", afirmou Marina.

Carneiro diz que foi durante a época dos ataques do PCC na capital paulista que o "negócio" rendeu mais ao PCC. Ele apresentou levantamento feito pelo Gaeco mostrando que ocorreu em maio de 2006 o maior volume de crédito acumulado pelas contas da quadrilha, cerca de R$ 27 mil, enquanto os débitos estavam em R$ 17 mil. Em junho, os créditos caíram para R$ 17 mil e os débitos saltaram para R$ 23 mil.

 

Terra Redação

 

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