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Brasil

Para Ibope, mídia melhora divulgação de pesquisa eleitoral

14 Out 2004 - 10h36
A diretora do Ibope, Márcia Cavalari, disse que os jornais vêm, ao longo do tempos "melhorando a forma de transmitir o resultado das pesquisas", embora ainda aconteçam diversos erros de interpretação. Ela participou, nesta quarta-feira (13) à noite, do programa "Diálogo Brasil", transmitido pela TV Nacional em rede pública para todo o país.

Segundo Márcia Cavalari, que participou do programa em São Paulo, um dos erros mais comuns ocorridos na cobertura da última eleição foi o uso de pesquisas feitas dias antes do pleito, que tentavam antecipar o resultado das urnas. "Teve jornal que usou pesquisa feita ainda em setembro, tentando prever o resultado. Depois da pesquisa, teve campanha, teve debate, teve ainda a repercussão do debate. Tudo isso altera o resultado", explicou.

A forma como são divulgadas as pesquisas eleitorais no Brasil foi criticada pelo cientista poítico José Luciano Dias, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep), que estava no estúdio em Brasília. Segundo ele, muitas vezes esses resultados são divulgados de forma deturpada.

Para o jornalista e professor da Universidade de Brasília (UNB) Paulo José Cunha, o que Dias classificou de deturpação é, na verdade, uma visão diferente de leitura. "Os resultados das pesquisas eleitorais trazem uma série de leituras que são divulgadas de acordo com as linhas editoriais de cada veículo de comunicação", disse. Cunha completou dizendo que "se cada veículo de comunicação pudesse declarar abertamente qual candidato apóia, a divulgação seria mais transparente".

José Luciano Dias defendeu a separação das eleições municipais das de presidente da República e governador. Para o cientista, essa separação facilita a avaliação do atual governo. "No caso das última eleições obervamos que o eleitor aprovou essa coligação feita entre o PT e o PMDB", disse.

Já a representante do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Alessandra Aldé, discordou, em parte, dessa posição. Aldé explicou que não é possível comparar o resultado das urnas em relação aos municípios e o governo federal. Concordou, porém, com a separação das eleições municipais, afirmando que essa separação facilita o voto para o eleitor.

A importância de facilitar o voto, principalmente com a urna eletrônica, é demonstrada nas pesquisas do Ibope. Segundo a diretora do Instituto, Márcia Cavali, ainda é grande o número de votos anulados sem intenção. "As pessoas, normalmente, escolhem o candidato à presidência, depois a governador e depois o restante. Agora, com a urna eletrônica, esse processo é invertido. Isso tem provocado uma série de votos errados, principalmente na população com menor grau de instrução", explicou.
 
 
Agência Brasil

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