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11 de Junho de 2010 16h52

Outra filha de pescador diz que foi estuprada e teve filho com pai

G1

Uma outra filha, de 31 anos, do pescador suspeito de ter engravidado sete vezes a filha, de 28 anos, prestou depoimento à polícia, nesta quinta-feira (10), e afirmou que o pai a estuprou seguidas vezes quando era menor de idade, em Pinheiro (MA). A violência sexual, ainda segundo informações da Polícia Civil, teria resultado na gravidez dela. O filho em questão, hoje, teria cerca de 15 ou 16 anos e vivia na mesma casa com o "pai-avô".

A delegada Adriana Meireles, responsável pelo inquérito policial, disse ao G1 que o garoto fugiu do povoado de Extremo assim que viu a aproximação dos investigadores. "Estamos tentando saber o paradeiro dele. Temos informações de que ele está em um outro povoado na região e que teria ficado assustado com tanta gente perto de casa no dia da prisão do pescador."

Adriana afirmou ainda que vai pedir exame de DNA para todos os envolvidos no caso. "Isso só poderá ser feito no âmbito da Justiça, quando o caso estiver nas mãos do Ministério Público. Eu pedirei os exames e a promotoria fará o mesmo no curso do processo". A delegada disse que pretende ouvir o depoimento do pescador novamente. "Chegamos a perguntar para ele se tinha mantido relações com outra filha e tido um filho com ela, mas ele negou. Agora, que conseguimos encontrá-la e ouvir a história contada por ela mesma, será preciso colher novo depoimento do pescador."

Em depoimento, a filha mais velha do pescador teria dito que era ameaçada por ele. "Segundo o que ela nos disse, o pescador dizia que bateria nela com corda se fugisse ou contasse o que tinha acontecido". Ao contrário da irmã que teve sete filhos com, o pai, a filha mais velha fugiu do povoado e hoje mora em São Luís. "Ela se casou e teve cinco filhos", disse a delegada.

O pescador está detido na carceragem da Delegacia de Pinheiro, em cela separada dos demais, onde deve permanecer até a conclusão do inquérito. Ele deve ser indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável, abandono material, abandono intelectual, maus-tratos e cárcere privado.

"Pai-avô"

A mãe das sete crianças disse ao G1 que os filhos chamam o pai de avô. Ela descreveu a relação de seus filhos com o pescador como sendo de netos. "Eu o chamo de pai", disse a jovem. A assistente social Marilza afirmou que as crianças não reconhecem o pescador como pai. "Elas dizem que ele é o avô delas."

Um laudo pericial realizado nas duas "filhas-netas" do pescador confirmou que a criança de 5 anos e 8 meses teve rompimento parcial do hímen, laceração da mucosa genital e apresenta discreto sangramento. Outra "filha-neta" examinada, de 8 anos, teria dito à polícia que sofreu abuso sexual, mas o laudo não revelou lesões no corpo dela. Em depoimento à polícia, o pescador nega o crime.

Os exames foram feitos pelos médicos Gerson Marques e Ruth Costa, que trabalham no Hospital Municipal Materno-Infantil de Pinheiro e foram nomeados para atuar no caso.

O laudo ainda indica que a "filha-neta" de 8 anos permanece virgem, não sofreu violência sexual e nem conjunção carnal. O exame na "filha-neta" de 5 anos e 8 meses revela que a menina sofreu violência sexual. "Houve introdução de algo na genitália dela, mas não é possível determinar se foi por meio de um instrumento, objeto ou até mesmo os dedos. A lesão não permite que os médicos afirmem o que provocou o machucado", disse a delegada.

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