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Assassinatos em série

Operação de Militares no Rio resulta em 7 mortos

DH quer saber se militares entraram na mata durante operação com sete mortes

13 Nov 2017 - 07h32Por Extra

Na operação que terminou com sete mortos no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, somente homens das Forças Especiais do Exército fizeram disparos. A versão foi apresentada por três agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), na tarde do último sábado. De acordo com os depoimentos, os policiais civis não deram tiros durante a ação conjunta, na madrugada de sábado. Na ocasião, havia um baile funk na favela. Os corpos, entretanto, foram encontrados a cerca de três quilômetros do local do baile.

Todos os mortos foram encontrados por peritos da DH na Estrada das Palmeiras. Fotos da perícia obtidas pelo EXTRA revelam que dois dos corpos foram atingidos na garupa de uma moto. Uma das vítimas estava dentro de um carro quando foi baleada. Outras duas estavam sobre o asfalto. Já as duas restantes estavam dentro de uma mata. Agentes da DH agora querem saber militares entraram na mata durante a operação.

— Os agentes da Core alegam que sequer fizeram disparos. Pelo que está sendo apurado, foram os militares que participaram do confronto — afirma o delegado Marcus Amim, responsável pela investigação.

A apuração dos assassinatos, entretanto, já começou prejudicada, segundo Amin. Por conta da lei que transfere para a Justiça Militar o julgamento de crimes contra a vida cometidos por homens das Forças Armadas em missões de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), sancionada pelo presidente Michel Temer no mês passado, a Polícia Civil não tem atribuição para investigar militares. Por isso, os homens do Exército que participaram da ação ainda não foram ouvidos na DH.

— Isso atrapalha a minha investigação. Eu preciso de todas as partes envolvidas para montar o cenário. Quando não tenho uma das peças, isso dificulta a reconstituição do que aconteceu — acrescenta o delegado.

 

Armas apreendidas pela polícia em tiroteio durante baile funkArmas apreendidas pela polícia em tiroteio durante baile funk Foto: Divulgação / PCERJ

 

Ao todo, 15 agentes da Core participaram da operação. Ao longo da semana, todos os agentes serão ouvidos na especializada. O número de militares que esteve no local ainda não foi passado à DH. Todas as sete vítimas foram identificadas pela Polícia Civil. O EXTRA localizou as famílias de cinco delas. Quatro negam o envolvimento de seus parentes com o tráfico.

As famílias de dois dos mortos — Victor Hugo Castro Carvalho, de 28 anos, e Marcelo da Silva Vaz, de 31 — disseram que ambos eram motoristas de Uber. De acordo com seus parentes, Victor Hugo estaria levando passageiros para o baile funk da favela, quando foi baleado.

— Eu tinha receio que ele trabalhasse à noite e pedia para não ir. Mas ele não tinha medo — conta a mulher de Victor Hugo, Marcelle de Holanda.

Já os parentes de Marcelo Vaz afirmam que ele estava de folga no momento do crime, ao lado de Bruno Coelho, de 26 anos, também morto no tiroteio. Os dois estavam em uma moto quando foram atingidos.

 

Parentes choram a morte de Marcelo da Silva VazParentes choram a morte de Marcelo da Silva Vaz Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo

 

— Ele não frequentava baile e nunca tinha nem dormido fora de casa. Ele e o Marcelo eram amigos e não tinham envolvimento com o crime — afirma Paulo César Coelho, pai de Bruno.

Já Rogério de Oliveira, que é pastor da Igreja Evangélica Quadrangular, em Nova Iguaçu, afirma que seu filho, Lorran de Oliveira Gomes, de 18 anos, voltava de moto da casa da namorada quando foi baleado.

— Ele era só um menino que morava numa comunidade — desabafa o pastor.

A mãe de Márcio Melanes Sabino, de 21 anos, admitiu que seu filho era envolvido com o tráfico. Parentes de Luiz Américo da Silva, de 46 anos, e Josué Coelho, de 19, não foram encontrados.

De acordo com nota conjunta da Polícia Civil e do Comando Militar do Leste (CML), a operação conjunta teve a participação de um blindado da Core e outros dois do Exército. Ainda segundo o texto, houve “resistência armada” por parte de traficantes no local. Foram apreendidos, durante a operação, um fuzil, sete pistolas, cinco carregadores, munição, rádios, drogas e celulares.

O coronel Roberto Itamar, porta-voz do Comando Militar do Leste (CML), informou que as Forças Armadas acompanham as investigações da Polícia Civil, e, caso haja algum indício de crime por militar, o CML pode abrir procedimento para investigar.

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