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ONU discute 'Fome Zero Global' proposto por Lula

20 Set 2004 - 13h18
Representantes de 97 países participam nesta segunda-feira, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, da reunião da Ação Mundial contra a Pobreza e a Fome, onde deve ser apresentadas propostas para financiar o desenvolvimento e ações sociais em países pobres. Um relatório com propostas objetivas e polêmicas, como a taxação sobre armas pesadas e transações financeiras internacionais, proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vai ser apresentado durante a reunião.

O encontro, na véspera da Assembléia Geral da ONU, deve ter a presença de 60 chefes de Estado ou de governo, que atenderam o convite feito pelo presidente Lula com o apoio do primeiro-ministro da Espanha, José Zapatero, e dos presidentes da França, Jacques Chirac, e do Chile, Ricardo Lagos.

No entanto, apenas os líderes de outros quatro países ricos estarão no encontro: Finlândia, Portugal, Suécia e Suíça. Representando os Estados Unidos, vai participar a secretária de Agricultura, Ann Veneman.

Analistas dizem que embora o tema do combate à pobreza invariavelmente atraia simpatia e declarações de apoio, os países ricos - e principalmente os Estados Unidos - devem resistir a propostas que envolvam mais doações ou uma ampliação na estrutura das Nações Unidas.

"Apoio diplomático"
O vice-presidente da Consultoria Stonebridge, de Washington, Joel Velasco, acredita que os americanos vão dar apenas um "apoio diplomático" às propostas.

"É claro que ninguém vai dizer que é contra o combate à fome e à pobreza, mas não acho que propostas buscando mais dinheiro vão ter grande aceitação. Aqui nos Estados Unidos, e em muitos outros países, há uma desconfiança em relação à ONU, e propostas de ampliação da estrutura da organização são vistas hoje com muito ceticismo", disse o consultor.

Velasco diz que se o Brasil quer aumentar o tom de sua voz nas relações internacionais, vai ter de passar a também colaborar com o desenvolvimento de outros países e não apenas pedir ajuda para os países desenvolvidos.

"Não adianta só convocar um reunião e chegar com pedidos. Se o Brasil quer aumentar sua influência na comunidade internacional, vai ter de gastar dinheiro também", diz o consultor.

Além das propostas polêmicas, o relatório também vai trazer algumas idéias de menor dimensão mas também mais simples, como a criação de um cartão de crédito mundial de afinidade - com o logo da campanha - através do qual os usuários doariam um porcentual de suas despesas para um fundo.

ONGs
As ONGs que trabalham com desenvolvimento, no entanto, dizem que são os países industrializados que têm de entrar com o dinheiro.

A coordenadora de campanhas no Brasil da Oxfam, uma das maiores organizações internacionais da área, Katia Maia, diz que as nações se comprometem com muitas doações, mas acabam não cumprindo o que prometem.

"Nós louvamos a iniciativa de se colocar o combate contra a pobreza no centro das atenções, mas achamos que ainda falta um compromisso de verdade dos países desenvolvidos em resolver o problema. Se pegarmos, por exemplo, os compromissos de doações estabelecidos na Cúpula das Américas (realizada no México em fevereiro) vemos que apenas uma pequena parcela foi cumprida", diz.

Katia Maia acrescenta que, bem mais importante do que doações, é criar um sistema de comércio que permita um desenvolvimento sustentável dos países pobres.

"As nações mais pobres da África, por exemplo, precisam de incentivo e ajuda para colocarem seus produtos no mercado internacional.

 

 

Terra Redação

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