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16 de Agosto de 2004 15h16

O cultivo de algodão está mudando o sudeste de Mato Grosso

Semana passada, o Globo Rural mostrou que a chegada da lavoura ao cerrado transformou o jeito de produzir algodão no Brasil. Conheça agora quem são esses novos produtores que investem pesado para aumentar a produtividade.

É cedo ainda quando a pista de pouso da fazenda Itaquerê já fica congestionada. São agricultores e empresários chegando para o dia de campo, que acontece no local todo ano na época da colheita.

Fabricantes de insumos, máquinas e implementos agrícolas mostram os últimos lançamentos do setor no meio da lavoura de algodão. “A gente passa a conhecer as novas variedades de algodão, como é uma cultura de um custo muito alto, a gente tem sempre que nos aperfeiçoar para aumentar cada vez mais a produtividade”, diz o produtor Marcos Vimecarte.

Um grupo de olhos puxados é formado por chineses de Taiwan que vieram conhecer a produção de algodão do Brasil. O cicerone da turma é o Alex Hsu. Ele conta que é corretor de algodão e notou que o produto brasileiro melhorou muito nos últimos anos. No grupo estão os maiores fabricantes de tecidos de Taiwan.

O mercado é muito exigente em termos de qualidade. Alex já comprou oito mil toneladas de algodão este ano e espera dobrar a quantidade no ano que vem.

O dia de campo começou há oito anos e foi idéia do agrônomo Édio Brunetta, um dos donos da fazenda. “Iniciamos isso na nossa região, porque naquele momento existia uma grande necessidade de fomento da cultura do algodão. Nós acreditamos que o Brasil só vai ser competitivo internacionalmente quando tiver escala de produção de algodão e continuidade no fornecimento de algodão de qualidade”.

O Édio é o caçula da família de cinco irmãos da família Brunetta. Eles vieram do Paraná, há vinte anos, em busca de novas terras para o plantio de soja. Na época vendendo um hectare de terra no Paraná se compravam 40 na região do Mato Grosso”.

Seu Élio, irmão de Édio, e a mulher foram os primeiros a morar na fazenda e o começo não foi nada fácil. “Foi difícil, mais o pior eram as estradas, que não tinha e começamos a batalhar para fazer estrada. Eu ficava o dia na estrada e a Vera ficava na fazenda e cuidava dos funcionários”.

Ela lembra bem dessa época. “Era nas minhas costas que ficava tudo. Era peão que brigava na cantina e corria para se esconder atrás de mim. Era peão chutando a marmita porque não gostava da comida, porque era difícil alguém vir para cá cozinhar”.

O trabalho duro acabou por vencer os desafios, os negócios prosperaram e muito. “Essa fazenda tinha 5.350 hectares e hoje tem 105 mil”.

O plantio de algodão começou na fazenda em 96. Hoje está espalhado por três propriedades e ocupa 9 mil e 500 hectares. A lavoura impressiona pelo tamanho e pelo nível de tecnologia que emprega.

Marcos Canário é um dos técnicos agrícolas que percorrem os campos diariamente fazendo monitoramento de pragas. “Eu faço um ziguezague, uma planta por hectare”.

Ele observa se existe praga ou doença nas plantas que examina. Os dados vão para um pequeno computador de mão. Ele é conectado a um GPS, aparelho que consegue determinar a localização exata de uma área. As informações são transferidas para a rede de computadores da fazenda. Um programa calcula quando e onde devem ser feitas as aplicações de agrotóxicos.

Para reduzir o uso de veneno, a fazenda testa diversas variedades de algodão, resistentes as principais doenças da cultura. “Hoje, as variedades existentes no mercado têm uma produtividade um pouco menor ainda do que os materiais suscetíveis a doença, mas você passa de 12 aplicações para seis de defensivos e isso reduz em cem dólares por hectare o custo”.

As novas variedades acabaram se transformando em negócio. Hoje os Brunettas estão entre os principais produtores de semente de algodão do país. Montaram até uma moderna unidade de processamento de sementes. O equipamento retira a lã que envolve o caroço e atrapalha a germinação da planta. A venda de sementes representa sete por cento dos negócios com algodão na fazenda. A venda do caroço para indústrias de óleo ou para ração, mais 8%. A principal fonte de receita, 85%, é mesmo a pluma. A média de produtividade nesta safra deve ficar em torno de 240 arrobas de algodão em caroço por hectare, 14% a mais do que a média nacional.

Do campo o algodão segue para o beneficiamento na própria fazenda. “A partir do momento que você descaroça o algodão e separa o caroço e a pluma, você vende com valor agregado maior. Você agrega tanto no caroço, quanto na pluma 10% a 12% a mais”.

Todo o algodão vendido pelas fazendas de Mato Grosso recebe um selo de origem. Depois de beneficiada, a pluma é enfardada. De cada fardo sai uma mostra identificada com códigos de barras que segue para o setor de classificação da cooperativa em Primavera do Leste. “Analisamos o comprimento da fibra, a uniformidade, a resistência do algodão e a finura da fibra”, explica o classificador Valmir Lana.

A amostra recebe uma classificação numérica por tipo e também é impressa no código de barras. Assim cada fardo vai para o mercado com o seu RG, através dela dá para saber de que fazenda vem a amostra que tratamentos o algodão recebeu no campo e a qualidade da pluma, segundo os padrões internacionais.

Montar uma estrutura custa caro, mas o faturamento também é alto. “Nós investimos 45 milhões de reais aqui em Mato Grosso e temos um faturamento bruto anual de 45 milhões também. Estamos tendo uma margem de 10% de lucro”.
 
Globo Rural
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