Menu
LIMIT ACADEMIA
quarta, 19 de dezembro de 2018
FARMÁCIA_CENTROFARMA_FULL
Busca
ITALÍNEA
Brasil

Novas demandas sociais transformam formação de educador ambiental

19 Ago 2010 - 08h52Por www.ciranda.org.br

Acessibilidade aos múltiplos meios da comunicação e da arte, protagonismo cada vez maior por parte das comunidades populares e a compreensão holística sobre questões ambientais.

Esse é o panorama contemporâneo ao qual a Educação Ambiental (EA) está se adequando para atingir sua finalidade, que é sensibilizar pessoas e sociedades para atitudes sustentáveis e estimulá-las a multiplicar iniciativas cotidianas de respeito à humanidade e ao meio ambiente.

Mas para que o processo aconteça é imprescindível a atuação de uma figura que, como a EA, é dinâmica: o educador ambiental.

Além do conhecimento técnico sobre a formação das florestas ou o impacto da ocupação do solo, por exemplo, o educador ambiental também precisa ser sensível às características do público que pretende atingir e do verdadeiro papel da EA.

Essa é a opinião do engenheiro agrônomo e educador ambiental Jay van Amstel, que foi buscar nos ensinamentos do pedagogo Paulo Freire e do psicólogo David Ausubel o conhecimento para ampliar as ações de educação para além do campo e das plantações. Jay viu na Educação Ambiental a ferramenta que ele e seus amigos necessitavam para efetivar boas práticas de sustentabilidade.

Mas ao mesmo tempo, também notou que o modo como projetos e oficinas nas escolas e comunidades acontecem, muitas vezes não geram a identificação da criança e do jovem, ou mesmo do adulto e idoso, com as iniciativas.

“A primeira coisa que veio na cabeça quando pensamos em nos tornar educadores ambientais foi que eles são normalmente ‘ecochatos’ e ‘biodesagradáveis’ porque sua abordagem está baseada no medo.

Então decidimos criar na prática novas maneiras de se pensar e aplicar a Educação Ambiental”, explica o engenheiro agrônomo.

Padrão de linguagem e entendimento do público-alvo e códigos moral e ético foram alguns dos conteúdos buscados pelo grupo - que desde 2007 formalizou sua atuação e deu origem em Curitiba-PR à ONG Instituto Ambiente em Movimento - para se aproximar do universo infanto-juvenil.

Ao mesmo tempo, ferramentas audiovisuais, teatro, músicas, games e intervenções urbanas se tornaram táticas produtivas para transformar escolas e lares, conta Jay.

A discussão acerca de uma educação voltada para a preservação do meio ambiente teve início em meados dos anos 60 com o movimento de contracultura.

O tema passou a ser incorporado na universidade de maneira mais crítica. Deixou-se de lado o discurso opinativo e partiu-se para a análise engajada da realidade com base teórica.

Com o objetivo de fortalecer a cidadania para chegar à conscientização, agindo de forma continuada, flexível e permanente, no Brasil foi instituída a Política Nacional do Meio Ambiente em 1981, que fez com que a EA passasse a ser obrigação do Poder Público, em 1988. Porém, só em 1990 foram criadas áreas de Educação Ambiental pelo poder público.

O processo foi lento, mas teve grandes conquistas ao longo desses anos, como a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), que originou a Agenda 21 e o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.

A partir daí a EA ganhou mais destaque nas discussões governamentais, sobretudo, voltadas para a educação, direitos humanos e cidadania.

Em 1999 foi instituída a Política Nacional de Educação Ambiental, mas só foi implantada em 2002. As organizações não governamentais (ONGs) também ganharam peso no trabalho dessa temática.

Neste contexto, formaram-se os coletivos educadores, conjuntos de instituições que se integram para planejar, implementar e avaliar processos de educação nas próprias comunidades, por meio de atores locais, os educadores ambientais populares.

Multiplicadores

Mais do que uma realidade, a Educação Ambiental deve ser uma busca para toda a sociedade.

E com o tempo, os educadores, os governos e as entidades voltados para a EA foram sentindo que além das escolas, as comunidades como um todo também ofereciam a abertura necessária para implantação de projetos de cunho ambiental.

“Para um projeto de Educação Ambiental funcionar a escola precisa sentir necessidade, mas de nada adianta se não for feito um trabalho em conjunto, entre instituição, alunos e pais.

É necessário unir ações individuais e coletivas para se formar uma consciência ambiental”, declara a pesquisadora da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Michèle Sato.

A solução encontrada para o fortalecimento das iniciativas foi a formação de multiplicadores voluntários: pessoas que pudessem repassar as informações obtidas até ali e ajudassem a promover transformações no relacionamento entre alunos e moradores com o meio ambiente.

Dessa forma o educador ambiental deixou de ter apenas formação acadêmica para se tornar um produto da ação de outros educadores ambientais. Pensando nisso, é que a ONG SOS Mata Atlântica lançou um guia, que está disponível na internet para todos os interessados em sustentabilidade e preservação ambiental.

Nele são abordados temas relativos ao meio ambiente e maneiras de desenvolver discussões e dinâmicas de conscientização.

Belloyanis Monteiro, coordenador de mobilização da SOS Mata Atlântica, explica que qualquer pessoa pode trabalhar com Educação Ambiental, basta ter interesse.

“Na instituição temos muitos biólogos, professores e pessoas de outras profissões. Não é necessário ter formação em curso superior, acreditamos que todos temos talento e habilidade e podemos contribuir nas atividades”, diz Monteiro.

Para realizar as atividades, os voluntários passam antes por uma formação interna e em seguida constituem um grupo de estudos para discutir as atividades.

“Educação é um processo que não é instantâneo”, declara a pesquisadora da UFMT enfatizando a importância da continuidade dos projetos. O que Michèle afirma ser um dos maiores problemas enfrentados ainda hoje, devido a dificuldade em elaborar projetos que tenham sequência.

É nesse contexto que entra a discussão efetiva em se fazer Educação Ambiental e formar pessoas comprometidas.

“É necessário haver diálogo entre governo, escola e comunidade, isso é um desafio, trabalhar juntos o desenvolvimento de políticas públicas que visem o ser humano e o ambiente ao seu entorno, promovendo cidadania e dinamizando a proteção ambiental simultaneamente”, finaliza.

Projeto AmbientAção

Mídia, Juventude e Educação Ambiental Pressuposto para a multiplicação e fortalecimento de práticas cidadãs e sustentáveis voltadas para o meio ambiente e para a sociedade, o protagonismo juvenil é um dos pilares do “Projeto AmbientAção: Mídia, Juventude e Educação Ambiental”.

O projeto é desenvolvido pela Ciranda – Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência, em parceria com a Oi Futuro e Itaú Social e acontecerá a partir de setembro três escolas da rede pública de Curitiba.

O objetivo do projeto, que tem como metodologia a educomunicação e que envolve direitamente 90 alunos e nove professores, é fortalecer as ações de educação ambiental, já existentes em sala de aula, através de práticas de comunicação. Desta forma, os jovens mobilizarão outras escolas e comunidades para o debate e a participação no processo de sustentabilidade socioambiental do planeta.

O que diz o ECA:

Art. 4º

É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

O que diz a Constituição Federal - Capítulo VI - Do Meio Ambiente:

Deixe seu Comentário

Leia Também

A QUE PONTO CHEGAMOS
Mãe mata o próprio filho após ser flagrada com amante pelo menino
MINÍSTRA DO MS NO GOVERNO BOLSONARO
Tereza Cristina anuncia seis secretários para Ministério
FAMOSIDADES
Silvio Santos se pronuncia sobre polêmica com Claudia Leitte e reage a campanha feminista
NOVELA GLOBAL
'O sétimo guardião': Sóstenes cometeu crime por amor a Luz
ABUSO SEXUAL
João de Deus se entrega para a polícia
ACIDENTE
Criança de dois anos se enforca com a alça da bolsa enquanto brincava em escola
CASO JOÃO DE DEUS
Marina Ruy Barbosa intervém no caso João de Deus e impede uma grande tragédia
PRISÃO DECRETADA
Justiça de Goiás decreta prisão de João de Deus
STARTUPS NO BRASIL JÁ É SUCESSO
O sucesso das startups no Brasil e algumas novas apostas no mercado
REVOLTANTE
Filha de João de Deus diz que foi abusada dos 10 aos 14 anos: 'Meu pai é um monstro'