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Novas demandas sociais transformam formação de educador ambiental

19 Ago 2010 - 08h52Por www.ciranda.org.br

Acessibilidade aos múltiplos meios da comunicação e da arte, protagonismo cada vez maior por parte das comunidades populares e a compreensão holística sobre questões ambientais.

Esse é o panorama contemporâneo ao qual a Educação Ambiental (EA) está se adequando para atingir sua finalidade, que é sensibilizar pessoas e sociedades para atitudes sustentáveis e estimulá-las a multiplicar iniciativas cotidianas de respeito à humanidade e ao meio ambiente.

Mas para que o processo aconteça é imprescindível a atuação de uma figura que, como a EA, é dinâmica: o educador ambiental.

Além do conhecimento técnico sobre a formação das florestas ou o impacto da ocupação do solo, por exemplo, o educador ambiental também precisa ser sensível às características do público que pretende atingir e do verdadeiro papel da EA.

Essa é a opinião do engenheiro agrônomo e educador ambiental Jay van Amstel, que foi buscar nos ensinamentos do pedagogo Paulo Freire e do psicólogo David Ausubel o conhecimento para ampliar as ações de educação para além do campo e das plantações. Jay viu na Educação Ambiental a ferramenta que ele e seus amigos necessitavam para efetivar boas práticas de sustentabilidade.

Mas ao mesmo tempo, também notou que o modo como projetos e oficinas nas escolas e comunidades acontecem, muitas vezes não geram a identificação da criança e do jovem, ou mesmo do adulto e idoso, com as iniciativas.

“A primeira coisa que veio na cabeça quando pensamos em nos tornar educadores ambientais foi que eles são normalmente ‘ecochatos’ e ‘biodesagradáveis’ porque sua abordagem está baseada no medo.

Então decidimos criar na prática novas maneiras de se pensar e aplicar a Educação Ambiental”, explica o engenheiro agrônomo.

Padrão de linguagem e entendimento do público-alvo e códigos moral e ético foram alguns dos conteúdos buscados pelo grupo - que desde 2007 formalizou sua atuação e deu origem em Curitiba-PR à ONG Instituto Ambiente em Movimento - para se aproximar do universo infanto-juvenil.

Ao mesmo tempo, ferramentas audiovisuais, teatro, músicas, games e intervenções urbanas se tornaram táticas produtivas para transformar escolas e lares, conta Jay.

A discussão acerca de uma educação voltada para a preservação do meio ambiente teve início em meados dos anos 60 com o movimento de contracultura.

O tema passou a ser incorporado na universidade de maneira mais crítica. Deixou-se de lado o discurso opinativo e partiu-se para a análise engajada da realidade com base teórica.

Com o objetivo de fortalecer a cidadania para chegar à conscientização, agindo de forma continuada, flexível e permanente, no Brasil foi instituída a Política Nacional do Meio Ambiente em 1981, que fez com que a EA passasse a ser obrigação do Poder Público, em 1988. Porém, só em 1990 foram criadas áreas de Educação Ambiental pelo poder público.

O processo foi lento, mas teve grandes conquistas ao longo desses anos, como a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), que originou a Agenda 21 e o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.

A partir daí a EA ganhou mais destaque nas discussões governamentais, sobretudo, voltadas para a educação, direitos humanos e cidadania.

Em 1999 foi instituída a Política Nacional de Educação Ambiental, mas só foi implantada em 2002. As organizações não governamentais (ONGs) também ganharam peso no trabalho dessa temática.

Neste contexto, formaram-se os coletivos educadores, conjuntos de instituições que se integram para planejar, implementar e avaliar processos de educação nas próprias comunidades, por meio de atores locais, os educadores ambientais populares.

Multiplicadores

Mais do que uma realidade, a Educação Ambiental deve ser uma busca para toda a sociedade.

E com o tempo, os educadores, os governos e as entidades voltados para a EA foram sentindo que além das escolas, as comunidades como um todo também ofereciam a abertura necessária para implantação de projetos de cunho ambiental.

“Para um projeto de Educação Ambiental funcionar a escola precisa sentir necessidade, mas de nada adianta se não for feito um trabalho em conjunto, entre instituição, alunos e pais.

É necessário unir ações individuais e coletivas para se formar uma consciência ambiental”, declara a pesquisadora da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Michèle Sato.

A solução encontrada para o fortalecimento das iniciativas foi a formação de multiplicadores voluntários: pessoas que pudessem repassar as informações obtidas até ali e ajudassem a promover transformações no relacionamento entre alunos e moradores com o meio ambiente.

Dessa forma o educador ambiental deixou de ter apenas formação acadêmica para se tornar um produto da ação de outros educadores ambientais. Pensando nisso, é que a ONG SOS Mata Atlântica lançou um guia, que está disponível na internet para todos os interessados em sustentabilidade e preservação ambiental.

Nele são abordados temas relativos ao meio ambiente e maneiras de desenvolver discussões e dinâmicas de conscientização.

Belloyanis Monteiro, coordenador de mobilização da SOS Mata Atlântica, explica que qualquer pessoa pode trabalhar com Educação Ambiental, basta ter interesse.

“Na instituição temos muitos biólogos, professores e pessoas de outras profissões. Não é necessário ter formação em curso superior, acreditamos que todos temos talento e habilidade e podemos contribuir nas atividades”, diz Monteiro.

Para realizar as atividades, os voluntários passam antes por uma formação interna e em seguida constituem um grupo de estudos para discutir as atividades.

“Educação é um processo que não é instantâneo”, declara a pesquisadora da UFMT enfatizando a importância da continuidade dos projetos. O que Michèle afirma ser um dos maiores problemas enfrentados ainda hoje, devido a dificuldade em elaborar projetos que tenham sequência.

É nesse contexto que entra a discussão efetiva em se fazer Educação Ambiental e formar pessoas comprometidas.

“É necessário haver diálogo entre governo, escola e comunidade, isso é um desafio, trabalhar juntos o desenvolvimento de políticas públicas que visem o ser humano e o ambiente ao seu entorno, promovendo cidadania e dinamizando a proteção ambiental simultaneamente”, finaliza.

Projeto AmbientAção

Mídia, Juventude e Educação Ambiental Pressuposto para a multiplicação e fortalecimento de práticas cidadãs e sustentáveis voltadas para o meio ambiente e para a sociedade, o protagonismo juvenil é um dos pilares do “Projeto AmbientAção: Mídia, Juventude e Educação Ambiental”.

O projeto é desenvolvido pela Ciranda – Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência, em parceria com a Oi Futuro e Itaú Social e acontecerá a partir de setembro três escolas da rede pública de Curitiba.

O objetivo do projeto, que tem como metodologia a educomunicação e que envolve direitamente 90 alunos e nove professores, é fortalecer as ações de educação ambiental, já existentes em sala de aula, através de práticas de comunicação. Desta forma, os jovens mobilizarão outras escolas e comunidades para o debate e a participação no processo de sustentabilidade socioambiental do planeta.

O que diz o ECA:

Art. 4º

É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

O que diz a Constituição Federal - Capítulo VI - Do Meio Ambiente:

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