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Nova técnica torna biodiesel competitivo até sem subsídio

10 Nov 2004 - 18h01
A Petrobrás desenvolveu uma nova tecnologia para produzir o biodiesel com grande ganho de rendimento e custo a partir, por exemplo, da mamona, planta que pode ser produzida em qualquer região do país. Em vez de gerar biodiesel a partir do óleo, a nova técnica extrai o combustível da própria semente que é fonte do óleo, o que diminui os custos do processo.

"A tecnologia desenvolvida no mundo inteiro, principalmente na Europa, onde o projeto do biodiesel praticamente se iniciou, parte do óleo vegetal. Esse é ‘o estado da arte’ hoje. Esse cenário para o Brasil não funciona bem porque um litro de óleo vegetal custa mais caro do que um litro de diesel. Então, a gente não pode substituir um produto com o dobro do preço dele em relação ao produto original. A grande vantagem da tecnologia que eu desenvolvi nos centro de pesquisa da Petrobrás foi o fato de usar como matéria-prima a oleaginosa e não o óleo. O preço do óleo dentro da semente é muitíssimo mais barato do que o preço do óleo já refinado", explica Carlos Khalil, pesquisador sênior do Centro de Pesquisas da Petrobrás (Centeps).

De acordo com Khalil, pelo novo processo, conhecido como transesterificação [reação química com um álcool, na presença de um catalisador, que produz biodiesel e glicerina], converte-se a semente diretamente em biodiesel. A oleaginosa mais utilizada é a mamona, apesar de bons resultados com soja, amendoim, girassol e outras fontes.

"Conseguimos converter diretamente uma semente em um biodiesel de alto grau de pureza. Isso torna o produto competitivo com o diesel de petróleo, dispensando inclusive o subsídio do governo federal. Podemos produzir biodiesel a preço de diesel e com uma grande vantagem, por ter como matéria-prima uma fonte renovável que vem da cadeia agrícola. Essa é a grande diferença entre o processo da Petrobrás e os processos existentes no mundo inteiro e no Brasil também, porque há diversos pesquisadores desenvolvendo tecnologia para a produção de biodiesel, mas partem da mesma premissa de que a Europa e os Estados Unidos partiram", disse.

Para Khalil, é preciso se preocupar com a regionalização do biodiesel, verificar as potencialidades da produção de cada região do país. Ele alerta, entretanto, que em boa parte do território do país ainda há disponibilidade para o plantio de novas culturas e, entre as possibilidades, a mamona se sobressai. "[A mamona] é uma cultura rústica. Você pode plantar com menos tecnologia do que as outras oleaginosas. A grande diferença é que, na semente da mamona, encontram-se até 54% de óleo. Para se ter uma referência, a soja - que é tão badalada, tão falada - só tem 18% de óleo. E, para quem vai produzir biodiesel, o que importa é o óleo, não o conteúdo de proteínas, que é o caso da soja", ressalta.
 
Agência Brasil

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