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Brasil

Não é preciso ser jurista para ter sentimento de justiça, diz Marisa

11 Jul 2007 - 15h14
A Senadora Marisa Serrano, relatora do processo contra o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) no Conselho de Ética voltou a rebater nesta quarta-feira (11/04) as críticas do parlamentar alagoano na última terça-feira, numa das sessões mais tensas da história do Congresso Nacional. "Posso não ser jurista, mas entendo de ética. A situação Renan é muito desconfortável já que ele é o líder maior do Congresso, a voz dele é a do Parlamento. E essa voz está sendo permanentemente questionada", disse.
 
Marisa ainda acrescentou que não é preciso "compreender profundamente filigranas jurídicas para ter senso de justiça", afirmou, salientando ainda que o "senador Renan, mesmo sendo advogado e conhecendo leis e petição está sendo questionado por toda a sociedade e por parcela ponderável de seus pares por ter ultrapassado os limites da ética e do decoro parlamentar", argumentou.
 
"Engraçado, o senador Renan tem problemas legais, está correndo risco de perder o cargo, e sou eu quem não conhece a legislação", ironizou a senadora.

O desconforto começou quando Renan afirmou, durante discussão com o líder Arthur Virgílio (AM) em plenário, que Marisa "não estaria à altura do que o PSDB representa para assumir a relatoria". O ataque foi uma resposta às preocupações demonstradas pela senadora com as intervenções realizadas pelo advogado de Calheiros no processo. O líder reproduziu em plenário a manifestação de Marisa durante reunião da bancada tucana.
 
Após ouvir as declarações do presidente da Casa, Virgílio reagiu: "Renan não tem nada a ver com a indicação que fiz ao nomear Marisa para o conselho. Isso está fora da alçada dele." E acrescentou: "Ela está apenas cumprindo o seu papel de investigar, missão que o partido a incumbiu. Não estou preocupado se Renan está satisfeito ou não. A minha preocupação é com a instituição Senado Federal."
Com o apoio do líder do Democratas, José Agripino (RN), o tucano decidiu ainda pela obstrução da votação das matérias do dia, o que acabou se concretizando. "O presidente foi indelicado com a senadora Marisa Serrano e a obstrução é também por conta disso", explicou. Já Marisa preferiu não polemizar. "Foi uma agressão gratuita", disse. A senadora explicou que o questionamento dos relatores se referia à decisão do advogado de Calheiros, Eduardo Ferrão, de recorrer do arquivamento do relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que se afastou por problemas de saúde
A parlamentar explicitou ainda as dificuldades de se investigar o senador alagoano, sem que o mesmo afaste da presidência. "Quero fazer um trabalho sério, sem pressão e com correção. E a insistência do PSDB, do DEM e de outros partidos para que ele deixe o comando da Casa, durante a apuração do caso, tem como objetivo evitar a contaminação das investigações", concluiu Marisa.
 

 
 
Dante Filho e Agência Tucana

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