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Na busca por emprego, homem 'mora' em abrigo de papelão

Há mais de um ano, pelo menos, o local é "acampamento" de um morador de rua

20 Ago 2019 - 08h37Por Extra

No vai e vem de pernas, bicicletas e VLTs, um homem grisalho permanece passivo sentado em um dos bancos da movimentada Avenida Rio Branco , no Centro do Rio, enquanto lê o livro de Gênesis da Bíblia. No assento ao lado, uma estrutura chama a atenção bem em frente ao Clube Naval, ao lado do Teatro Municipal e a poucos metros da Câmara de Vereadores : unidos, pedaços de papelão formam uma espécie de grande caixa com tampa, onde é possível que uma pessoa entre e repouse. Há mais de um ano, pelo menos, o local é "acampamento" de um morador de rua que numa engenharia diária monta e desmonta a construção atraindo olhares curiosos, como antecipou o colunista Ancelmo Gois.

O sotaque forte denuncia sua origem nordestina, e a única informação sobre si que ele deixa escapar à equipe do GLOBO é a de que é cearense e trabalhava como garçom. Se distanciando e sem dizer o seu nome, conta que está procurando emprego, todos os dias, de agência em agência, empresa em empresa, restaurante em restaurante, assim como outros 12,8 milhões de brasileiros e brasileiras. Caso alguma oportunidade apareça, a Carteira de Trabalho está no bolso da calça, sempre à mão.

— Ele fica ali direto, todos os dias, há mais ou menos um ano. A Comlurb vem, tira tudo, e ele volta. E todo mundo comenta, porque ele está sempre bem arrumado e lendo a Bíblia. Fica todo mundo curioso para saber a história dele — comenta, sem se identificar.

Há pelo menos um ano, garçom cearense vive em estrutura improvisada com papelão na Avenida Rio Branco, no Centro

Há pelo menos um ano, garçom cearense vive em estrutura improvisada com papelão na Avenida Rio Branco, no Centro Foto: Marcelo Régua

O asseio, de fato, chama a atenção. O cabelo está aparado, assim como a barba em dia, e a camisa de botão, limpa e passada. Duas vendedoras de uma loja próxima, também sem se identificarem, comentam que ficam se perguntando como ele está sempre tão arrumado apesar de nunca aparecer carregando nenhuma bolsa ou mochila.

— Ele não pede nada a ninguém, nem água, e está sempre lendo a Bíblia. Os garis tiram a caixa quase todos os dias e ele refaz toda a estrutura à noite. A gente chama ele de "João de barro" — observa uma das mulheres — Fico curiosa porque ele não tem uma bolsa, uma mochila, nada, mas está sempre com as roupas limpas. Todo mundo que passa por aqui fica curioso, para, tira foto.

Na mesma calçada onde o garçom se abriga, Genil de Oliveira Sales trabalha como segurança em um restaurante. Observando de maneira atenta a movimentação do garçom cearense, ele conta que já ouviu de outros colegas da região que o homem trabalhava em um restaurante da Avenida Treze de Maio, ali próximo, que fechou e o deixou sem emprego.

— Ele é assim mesmo, não conversa com ninguém. Já está aqui tem um tempo. No início dormia sem caixa, no banco mesmo. Teve uma vez que a gente precisava tirar uma foto aqui da fachada da empresa e pedimos a ele para sair, mas ele disse que não, que aqui era a área de lazer dele. O restaurante ia dar emprego a ele, mas depois dessa, desistiram.

Arredio, o cearense não é muito de conversa. Na primeira abordagem do GLOBO, permaneceu atento às páginas da Bíblia e assobiou, em desdém. Depois, disse pouco, falando apenas que está "correndo atrás" de uma nova oportunidade de emprego para conseguir alugar um quarto e sair do "acampamento", como chama a estrutura de papelão, mas deixou sem respostas detalhes de sua trajetória e do que o levou para a rua.

À noite, quando lojas e empresas do Centro da cidade do Rio fecham as portas e os trabalhadores voltam para casa, fazendo o movimento na Avenida do Rio Branco diminuir progressivamente, o garçom retorna para o abrigo improvisado.

— Ninguém vê a hora certa que ele entra nessa caixa, mas é a noite, quando as lojas estão fechadas e não tem tanto movimento na rua. Acho que tem vergonha.

No dia seguinte, a luta por emprego recomeça.

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