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Brasil

Mulheres são 60% dos jovens com Aids

14 Jul 2004 - 06h59
Os homens não são mais o alvo primário da epidemia de Aids que assola o mundo. Dos portadores do HIV que têm hoje entre 15 e 24 anos, 60% são mulheres, alerta um relatório da ONU. Pior: nessa faixa etária, elas têm, em média, três vezes mais chance do que eles de serem contaminadas, diz o documento. E a principal forma de infecção é o sexo heterossexual.

O estudo, preparado pelo Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para as Mulheres), será divulgado hoje na 15ª Conferência Mundial de Aids, em Bancoc (Tailândia) e foi obtido antecipadamente com exclusividade no Brasil pela Folha.

Nele, são discutidas as principais causas e conseqüências de a proporção de mulheres sexualmente ativas (entre 15 e 49 anos) infectadas no mundo ter subido em oito das dez regiões pesquisadas entre 2001 e 2003 e chegado a 48%. Em 19 anos, foi um salto de 13 pontos.

A proporção só não subiu na África Subsaariana --que concentra mais da metade dos casos do mundo e onde as mulheres já perfazem 57% da população vivendo com Aids--, no norte da África e no Oriente Médio.

O mapa traçado pelo Unifem mostra que a fração feminina de infectados pelo HIV cresce de acordo com o grau de pobreza e desenvolvimento da região. Enquanto na África Subsaariana elas são 57% dos infectados, na América do Norte e na Europa ocidental são cerca de 25%, e na Oceania, 20%. Já as latino-americanas são 36% em sua região. Os números do relatório foram obtidos por outras agências da ONU, como a Unaids, ou provêm de governos e de ONGs reputadas.

Violência e desinformação

Os maiores impulsos para esse salto, diz o Unifem, vêm da violência sexual e da falta de informação --entra aí a defasagem educacional da população feminina em boa parte do mundo. Uma pesquisa citada no relatório infere que 700 mil casos de infecção de jovens adultos seriam evitados por ano se todas as crianças tivessem educação primária completa.

Há, ainda, o problema cultural: enquanto em muitos lugares é socialmente aceito que o homem tenha várias parceiras, a mulher tem de se manter fiel e abdicar do preservativo com seu parceiro. A cultura do silêncio, diz o estudo, é um dos maiores aliados do vírus.

Porque as mulheres têm menos direitos e poder do que os homens em boa parte do globo, elas estão menos aptas a negociar a prática segura de sexo. A pobreza, por sua vez, tem maior efeito em termos de disseminação da Aids sobre a população feminina, pois estimula o tráfico de mulheres e tende a empurrar mais delas para a prostituição. Em lugares como a África do Sul, é comum que homens mais velhos assumam as despesas de uma ou mais jovens em troca de favores sexuais.

Outro fator que tem contribuído para disseminar o vírus em ritmo acelerado entre elas é o fato de, cada vez mais, o estupro sistemático se tornar arma de guerra. Durante o genocídio em Ruanda (1994), centenas de milhares de mulheres foram estupradas, muitas por portadores do HIV.

A violência doméstica também segue preocupante: estudos citados no relatório indicam que, dependendo do lugar no mundo, de 10% a 69% das mulheres são vítimas. Espancadas e humilhadas, muitas temem pedir que seus parceiros abandonem um comportamento sexual promíscuo ou usem preservativo, criando um círculo vicioso, já que, uma vez infectadas, elas passam a ser espancadas ou são abandonadas. Sem romper o ciclo, enfatiza o Unifem, será impossível conter o vírus.

Impacto desigual

As mulheres também são, segundo o relatório, as mais prejudicadas pelo crescimento da epidemia de Aids. Em 90% dos casos, são elas que assumem a tarefa de cuidar de parentes contaminados ou de crianças que se tornam órfãs por causa da Aids. Meninas e adolescentes, em muitos lugares, são as primeiras a serem tiradas da escola para cumprir a função.

Sem educação, acabam colaborando para a propagação do vírus. Sem rendimentos e economicamente dependentes do homens, ficam mais suscetíveis à infecção, pois dependem deles para comprar preservativos e acabam sofrendo mais abusos.

A solução proposta pelo Unifem é garantir que as mulheres, sobretudo as adolescentes, tenham conhecimento e meios para evitar a infecção. Hoje, só 20% das mulheres que precisam de acesso a serviços de prevenção os têm.

Um bom caminho, sugere o relatório, é fomentar os direitos femininos, instituir a tolerância zero para a violência contra a mulher, estimular a igualdade de direitos e apoiar as entidades anti-Aids geridas por mulheres.

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