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Mulheres não são mais tagarelas que homens, diz estudo

6 Jul 2007 - 05h40
Mulheres falam demais? Se isso é verdade, então os homens também exageram, mostra um estudo descrito na edição desta semana da revista Science. "O estereótipo da tagarelice feminina está profundamente arraigado no folclore ocidental", escrevem os autores do trabalho, psicólogos de universidades do Arizona, Texas e Missouri, nos EUA. "Mas é infundado", afirmam, depois de apresentar seus dados.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores equiparam voluntários - todos estudantes universitários - com gravadores digitais que se ligavam e desligavam automaticamente, a intervalos regulares. Os voluntários deveriam portar o gravador durante todo o tempo em que estivessem acordados.

As gravações duravam, na maioria dos testes, 30 segundos, e eram tomadas a intervalos de 12min30s. A partir desse registro, os psicólogos fizeram uma estimativa de quantas palavras cada voluntário proferia ao longo do dia.

O trabalho envolveu um total de 396 estudantes - 210 homens e 186 mulheres - divididos em seis rodadas diferentes, cinco realizadas nos EUA e uma no México, entre 1998 e 2004. Os participantes tinham de 17 a 29 anos.

Os dados indicaram que, ao longo de um período médio de 17 horas de vigília, as mulheres falam 16.215 palavras, em média, contra 15.669 dos homens.

A diferença não chega a ter importância estatística, dizem os pesquisadores, e empalidece diante da que separa, por exemplo, o homem mais lacônico da amostra (500 palavras ao dia) do mais falador (45.000). O resultado, conclui o artigo, mostra que homens e mulheres usam, em média, o mesmo número de palavras diariamente: cerca de 16.000.

Mas, se os números são tão próximos, da onde vem a idéia de que a mulher fala demais? "Meu melhor palpite", declara o psicólogo Matthias R. Mehl, principal autor do trabalho, "é que (esse preconceito) evoluiu a partir do conflito entre os sexos".

"Pode ser que, no contexto das discussões entre marido e mulher, haja um padrão típico", diz ele: "A mulher exige falar sobre o problema e o homem se afasta, verbal e emocionalmente".

Com isso, supõe Mehl, as pessoas exageram na generalização, indo de "ela quer falar sobre o problema" para "mulheres sempre querem falar". "Mas isso é só um palpite", ressalva.

O cientista lembra ainda que, no geral, as pessoas tendem a prestar mais atenção nos casos que confirmam seus preconceitos. "Se você acredita mesmo que as mulheres falam mais que os homens, você vai pegar as mulheres mais tagarelas como exemplos a favor da sua teoria".

 

 

Estadão

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