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MT tem prejuízo de US$ 4 milhões com embargo da soja

2 Jul 2004 - 09h10
O embargo da Rússia, por até 12 meses, às exportações de carne de Mato Grosso poderá representar um prejuízo de cerca de US$ 4 milhões até o fim do ano, ou cerca de US$ 400 mil enquanto a decisão estiver mantida. Ontem, técnicos do Indea/MT (Instituto de Defesa Agropecuária de mato Grosso) e da DFA/MT (Delegacia Federal da Agricultura no Mato Grosso) iniciaram o levantamento teórico das informações que serão levadas, por uma missão brasileira, às autoridades russas.

Na próxima segunda-feira, um encontro das autoridades sanitárias estaduais em Brasília, deverá dar início aos trabalhos a campo. "Temos pouco tempo para reverter esta proibição", exclama o delegado Federal da Agricultura em Mato Grosso, Paulo Bilego. Na quarta-feira passada, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, anunciou em Cuiabá, a realização de um trabalho em conjunto entre Ministério e os governos do Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, para coleta de informações que assegurem a qualidade sanitária do rebanho mato-grossense.

A expectativa do setor é reunir provas em cerca de 15 dias e formar uma missão para viajar à Rússia. Antes do embargo, o saldo das exportações estaduais previa um incremento de 20% nas vendas para o mercado russo, em comparação aos US$ 100 milhões contabilizados no ano passado. "Com o embargo e com sua permanência por doze meses, deveremos crescer somente 12% ou 13%", explica o coordenador do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fiemt (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso), Gavur Kirst.

Ontem, o presidente do Indea/MT, Décio Coutinho viajou para Belém, capital do Pará, onde participou de uma reunião de trabalho do Fórum dos Secretários de Agricultura das regiões Norte e Nordeste, que conta com a presença do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. O delegado Federal da Agricultura em Mato Grosso, Paulo Bilego, justificou a importância da participação das autoridades estaduais nestas discussões. "Temos fronteiras com estados com status sanitário menos desenvolvidos que o nosso, como Rondônia, Acre e Pará.

Nosso rebanho está vulnerável, uma cabeça que deixe de ser vacinada põe em risco todo o rebanho nacional. Por isso temos de ajudar nossos vizinhos, o que acaba garantindo a nossa sanidade animal", explica. O secretário de Desenvolvimento Rural, Homero Pereira anunciou que Mato Grosso abriu mão dos recursos que o Ministério repassará ao Estado para o combate à Aftosa (ainda não se sabe as cifras) serão doados ao Pará, Nordeste e Rondônia. "Eles precisam mais", justifica.

Na sexta-feira passada, a Rússia anunciou embargo às exportações de carne brasileira em função da confirmação, por parte das autoridades brasileiras, de um foco de Febre Aftosa no município de Monte Alegre, no Pará, região a 700 quilômetros da fronteira com o Mato Grosso. Em função da proximidade, àquele país retomou anteontem as compras brasileiras, mas deixou Mato Grosso de fora.

 

Diário de Cuiabá


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