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Brasil

MST ocupa 9 andares do prédio do Incra em Brasília

16 Abr 2007 - 14h15
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou hoje uma série de mobilizações no chamado Abril Vermelho, mês em que se intensificam as ações do movimento. Em Brasília, MST, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e o Movimento de Apoio ao Trabalhador Rural (MATR) ocupam nove andares do prédio onde fica a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Em São Paulo, uma fazenda foi invadida na região do Pontal do Paranapanema, além de sedes do Incra e do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). Em Salvador, uma marcha de sem-terra chegou pela manhã à capital e deve promover manifestações em frente à sede do governo.

Em Brasília, cerca de 850 pessoas ocupam nove andares do prédio do Incra, que fica ao lado da Esplanada dos Ministérios. A Polícia Militar tentou entrar em contato com os sem-terra para negociar a desocupação, mas eles não quiseram negociar.
No prédio funciona outros órgãos públicos, como Advocacia-Geral da União (AGU), bancos e outros. Devido ao fato de o local estar cercado, os trabalhadores desses outros órgãos também não podem entrar para trabalhar. Isso levou a direção do Incra definir que a desocupação do prédio é a condição para iniciar as negociações.
O presidente do Incra, Holf Hackbart, está reunido, desde as 11h, com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e com o ouvidor agrário nacional, Gercino Silva. A assessoria do Incra não informou o local da reunião.
Os líderes do movimento sem-terra estão reunidos dentro do prédio do Incra. Os manifestantes não permitiram que o ouvidor entrasse no prédio com escolta da Polícia Federal. Jurado de morte por fazendeiros do Acre, ele não pode dispensar a escolta desde 1997.
Bahia
Em Salvador, cerca de 5 mil sem-terra devem fazer uma manifestação em frente ao Centro Administrativo da Bahia. O grupo chegou hoje à capital baiana depois de uma caminhada de mais de 100 km que partiu de Feira de Santana.
De acordo com o MST, o protesto é contra a impunidade no campo e para pressionar o governo federal a apressar a Reforma Agrária. Amanhã, os sem-terra devem comparecer a uma sessão na Assembléia Legislativa da Bahia.
São Paulo
Em Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, os integrantes do movimento ocupam a Fazenda São Luis. Duas viaturas da Polícia Militar foram para a porteira da fazenda, mas foram impedidas pelos manifestantes de entrar na área ocupada. Os sem-terra cortaram cana-de-açúcar e fizeram uma barricada na entrada da propriedade.
Nas cidades de Teodoro Sampaio, Rosana e Primavera, os sem-terra invadiram os prédios das sedes do Itesp e Incra.
O MST promete intensificar as ações do chamado Abril Vermelho principalmente na região do Pontal do Paranapanema. A intenção é de relembrar o massacre de Eldorado dos Carajás e outras situações contrárias ao movimento.
De acordo com o coordenador do movimento na região, Valmir Ulisses Sebastião, a intenção é reunir mais de 1,8 mil pessoas nas mobilizações que devem ocorrer durante toda essa semana.
O MST exige que o governo federal faça um "mutirão" de todos órgãos públicos pela Reforma Agrária, para assentar as 150 mil famílias acampadas pelo País.
Paraíba
Cerca de 600 famílias ligadas ao MST ocuparam hoje várias áreas do Vale do Piancó, no sertão da Paraíba. Cem delas acamparam em áreas próximas ao município de Piancó, enquanto outras 500 famílias estão em Bonito de Santa Fé, na região de Cajazeiras na Paraíba. Os trabalhadores relembram o Massacre de Eldorado de Carajás (1996), e a monocultura na Paraíba (agro combustível).
Maranhão
Cerca de mil pessoas ocupam a ponte sobre o rio Tocantins, no município de Estreito, no Maranhão, em protesto contra a instalação da Usina Hidrelétrica de Estreito, desde a manhã desta segunda feira. A manifestação é contra a retirada de 8 mil camponeses e indígenas da região após a construção da usina.
Em frente ao canteiro de obras, um grupo monta um acampamento para os manifestantes, que vão permanecer no local por tempo indeterminado contra a construção.
No município de Newton Belo, cerca de 350 famílias do MST ocuparam o latifúndio improdutiva São Benedito, de 2,7 mil hectares, para exigir a desapropriação imediata da fazenda e a criação de um assentamento.
Santa Catarina
Integrantes do MST invadiram na tarde de ontem um campo de treinamento do Exército em Papanduva, localizado no extremo-norte de Santa Catarina. A ocupação durou cerca de 24 horas e, no final da manhã de hoje, cerca de 400 famílias de sem-terra deixaram o local após negociações com o Ministério da Defesa.
Rio Grande do Sul
Cerca de 250 integrantes do MST continuam acampados em uma área municipal dentro de São Gabriel. Eles têm ordem judicial de retirada para amanhã, dia em que completam 11 anos do massacre de Eldorado dos Carajás ¿ quando 19 membros do movimento foram mortos pela polícia militar do Pará.
 
 
Terra Redação
 

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