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MST: acordo Mercosul-UE prejudica agricultor

20 Out 2004 - 14h35
Cerca de 100 manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) fazem protesto em frente ao Itamaraty contra as negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, participa da reunião Mercosul-União Européia, nesta quarta-feira em Lisboa, Portugal. No encontro, serão avaliadas as ofertas apresentadas pelos dois grupos e o andamento das negociações sobre o acordo de livre comércio entre os blocos econômicos.

“Esse acordo tem sido discutido às pressas e a sociedade brasileira não tem participado do debate sobre o acordo. Se ele for assinado do jeito que está, vai prejudicar amplos setores da sociedade brasileira e beneficiar poucos segmentos, que são os do agronegócio exportador”, afirma Rogério Mauro, da coordenação nacional do MST.

Segundo Mauro, os principais prejudicados com o acordo serão os pequenos agricultores. "As perdas serão grandes, principalmente no caso do leite, onde estão diminuindo as tarifas de importação do produto. Isso pode representar a quebradeira de milhares de produtores no país. Além de causar o desemprego e o êxodo rural", afirmou.

Os manifestantes fixaram uma faixa na entrada do palácio com os dizeres: “Soberania SIM. Livre comércio Não”. Além de protestar contra o acordo, com gritos exaltados, os manifestantes fizeram uma roda e cantaram em favor da reforma agrária. Eles encenaram também uma peça teatral enfatizando as riquezas do Brasil e como os governantes, usualmente, as colocam em leilão.

Mauro também lembrou o encontro dos representantes da Via Campesina – organização que reúne movimentos sociais ligados aos pequenos produtores e trabalhadores rurais sem terra – com os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, para tratar da negociação em torno do livre comércio. Durante o encontro, os ministros garantiram que o governo brasileiro não vai abrir o mercado para países que concedam subsídios ao setor agrícola. Segundo ele, o verdadeiro resultado da reunião vai ser conhecido depois que o ministro Amorim chegar de Portugal.

O presidente da Comissão do Mercosul na Câmara dos Deputados, Dr. Rosinha (PT-PR), também apareceu na manifestação. Ele endossou as críticas do MST. “Sou contra o acordo no nível em que está se dando. Uma negociação sem transparência vai contra a soberania nacional e os interesses da maioria do povo brasileiro. Em todas as áreas, está contra o interesse da sociedade brasileira. Destrói a produção de alho, cebola, milho e tudo que envolve a pequena agricultura”, lembra.

O deputado ressalta que o acordo vai beneficiar somente os monopólios de produção. “A produção poderá aumentar na ordem de US$ 2,5 bilhões e com uma visão pessimista, de no máximo US$ 1 bilhão. Entretanto, ao destruir a exportação e a agricultura familiar, estamos no prejuízo, porque essa destruição não compensa esse pequeno ganho em curto prazo.”
 
 
Agência Brasil

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