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Brasil

MS já registrou 5 mil denúncias de violência contra mulher

4 Jul 2007 - 15h07
“As relações entre mulheres e homens têm sido historicamente desiguais, propiciando a subordinação da população feminina aos ditames masculinos, que impõem normas de conduta às mulheres e as devidas correções ao descumprimento dessas regras sutis e perversas, embutidas nesse relacionamento”. Com a frase de Maria Amélia de Almeida Teles, da União de Mulheres de São Paulo, a assessora técnica e política da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a Mulher, Rosana Monti Henkin iniciou esta manhã sua palestra sobre violência de gênero, dirigida a oficiais e praças do Corpo de Bombeiros. Ela explicou que, em quase 80% dos casos, a incidência da violência de gênero recai sobre a mulher e a criança do sexo feminino, por isso também é conhecida como violência contra a mulher, ou doméstica e sexual.

A Lei Maria da Penha define violência doméstica e familiar contra a mulher “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”.

Cerca de uma em cada cinco brasileiras (19%) declara espontaneamente ter sofrido algum tipo de violência por parte de algum homem: 16% relatam casos de violência física, 2% citam alguma violência psíquica e 1% lembra do assédio sexual. Em pesquisas estimuladas pela citação de diferentes formas de agressão, o índice chega a 43%. Um terço das mulheres (33%) admite já ter sido vítima, em algum momento de sua vida, de alguma forma de violência física (24% de ameaças com armas ao cerceamento do direito de ir e vir, 22% de agressões propriamente ditas e 13% de estupro conjugal ou abuso); 27% sofreram violências psíquicas e 11% afirmam já ter sofrido assédio sexual. Dentre as formas de violência mais comuns destacam-se a agressão física mais branda, sob a forma de tapas e empurrões, sofrida por 20% das mulheres; a violência psíquica, vivida por 18% e a ameaça, relatada por 15%.

Dados parciais revelam que até maio deste ano, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) receberam 1.546 denúncias em Campo Grande. No interior do Estado, foram mais de 3,7 mil registros.

Em Mato Grosso do Sul, os organismos que integram a Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres são: Deam, CAM (Centro de Atendimento à Mulher em Situação de Violência), Casa Abrigo, Defensoria Pública da Mulher, Polícia Civil e Militar, Bombeiro Militar, Coordenadoria de Perícias/IML, Secretaria de Estado de Saúde, Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande, Hospital Regional, CEDM (Conselho Estadual dos Direitos da Mulher), 5ª Vara Criminal, 47ª Promotoria de Justiça, 48ª Promotoria de Justiça, além de escolas, universidades, organizações privadas, entre outros.

Todos os integrantes da rede estão orientados a prestar atendimento prioritário à mulher vítima de violência. Rosana citou como exemplo as unidades de saúde 24 horas, que possuem kits de medicamentos que devem ser ministrados a vítimas de violência sexual - remédios para prevenir as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e gravidez.
 
 
 
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