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Brasil

Morte de abelhas ameaça a agricultura dos EUA

4 Mai 2007 - 06h00
Um misterioso assassino de abelhas continua devastando as colméias dos Estados Unidos e reduzindo abruptamente a população desses animais. Se ninguém (ou nada) acabar com isso, as conseqüências da matança poderão se refletir na alimentação diária do norte-americano.

Abelhas não fazem apenas mel; elas polinizam mais de 9 das frutas e verduras mais saborosas e nutritivas dos EUA, entre elas: maçã, noz, abacate, cereja, morango, soja e brócoli.

Na verdade, cerca de um terço da dieta humana provém de plantas polinizadas por insetos, e as abelhas são responsáveis por 80% dessa polinização, segundo o Ministério da Agricultura dos Estados Unidos.

Até mesmo o gado, que come alfafa, depende das abelhas. Então, se elas desaparecerem mais ainda, os americanos poderão acabar tendo como alimento apenas "grãos e água", segundo afirmou Kevin Hackett, líder do programa nacional do Ministério da Agricultura dos EUA para abelhas e polinização. "Este é a maior ameaça para nosso suprimento de alimentos", disse Hackett.

Mesmo que nem todos os cientistas prevejam uma crise alimentícia, visto que mortes em larga escala de abelhas já ocorreram no passado, esta, particularmente, se mostra alarmante e confusa.

Apicultores norte-americanos perderam nos últimos meses um quarto de suas colônias - ou cerca de cinco vezes mais do que as mortes naturais que ocorrem durante o inverno - devido ao que os cientistas chamam de Desordem de Colapso Colonial (CCD, em inglês).

O problema começou em novembro e parece ter se espalhado para 27 Estados americanos. Casos semelhantes aconteceram no Brasil, Canadá e partes da Europa.

Cientistas se esforçam para descobrir o que está matando os insetos, e resultados preliminares de um importante estudo divulgados nesta semana apontam como causadores da tragédia algum tipo de parasita ou doença.

Mesmo antes desta desordem ocorrer, as abelhas já estavam em apuros. O número de indivíduos estava diminuindo constantemente, pois seus genes não são equipados para combater venenos e doenças.

Especialistas brasileiros e europeus se juntaram numa investigação no laboratório de estudos de abelhas do Ministério da Agricultura dos EUA, localizado em Washington. Nas últimas semanas o gabinete do vice-presidente, Dick Cheney, foi informado sobre o problema.

"Essa crise ameaça destruir produções de plantas que dependem da polinização de abelhas", disse o secretário da Agricultura Mike Johanns em um comunicado.

Um estudo do Congresso informou que as abelhas contribuem indiretamente com cerca de US$ 15 bilhões por ano em alimentos devido às suas polinizações.

Suspeitos

Segundo o maior especialista em abelhas do Ministério da Agricultura, Jeff Pettis, os suspeitos pela diminuição da população de abelhas nos EUA são um parasita, um vírus desconhecido, algum tipo de bactéria, pesticidas, ou uma combinação entre duas destas quatro últimas, em que uma enfraquece o inseto e a outra o mata.

 

 

Estadão

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