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Ministério da Saúde confirma risco de hantavirose em MS

15 Jul 2004 - 17h52
 

O responsável técnico por Ações de Hantavirose do Ministério da Saúde, Mauro Elkhoury, que esteve recentemente em Bodoquena para constatação de possíveis casos de hantavirose no local, onde uma pessoa morreu ano passado com suspeita de ter contraído a doença, confirmou ao MidiamaxNews que há risco de casos de hantaviroses em Mato Grosso do Sul. Ele disse, durante entrevista exclusiva ao jornal eletrônico, que “a população, os médicos e os hospitais do Estado precisam ficar de alerta pois, muitos casos podem estar ocorrendo”.

Durante cinco noites, sob o comando de Elkhoury, técnicos do Ministério Saúde e do Instituto Adolfo Lutz, com apoio de policiais militares ambientais, armaram 480 armadilhas para capturar ratos silvestres, hospedeiros do hantavírus, na zona rural de Bodoquena, a 265 quilômetros de Campo Grande. O resultado a operação conjunta foi a captura de 190 ratos silvestres e que deverão passar por análises laboratoriais em um prazo de 30 a 40 dias.

A mobilização das autoridades de saúde nacional e estadual explica-se devido ao fato de a doença ser a responsável pela morte de quatro pessoas na cidade satélite de São Sebastião, no Distrito Federal, no mês de maio deste ano. As quatro pessoas que morreram apresentavam os mesmos sintomas – febre, dores musculares, diarréia e dificuldade de respirar. A hantavirose é transmitida pelo ar e somente se manifesta depois de três a 15 dias da contaminação, sendo que os grupos de risco da hantavirose são moradores e freqüentadores da área rural, sendo que as queimadas indiscriminadas são a principal causa do aparecimento do hantavírus.

O processo de desmatamento provoca a escassez de alimentos naturais que os roedores silvestres encontram nas matas, e faz com que eles passem a procurar comida nas casas, galpões e armazéns de fazendas, onde a armazenagem inadequada de alimentos atrai esses animais. No caso específico de Bodoquena, Elkhoury explicou que a suspeita de morte por hantavirose não foi confirmada, mas entre os familiares da vítima muitos revelaram que tiveram contatos com ratos silvestres. “É uma doença muito grave, pois a média de óbitos é de 50%, ou seja, a cada dois um morre. Isso porque ela desenvolve rapidamente e não dá tempo nem da vítima chegar ao hospital”, alerta o especialista do Ministério da Saúde.

Ele também informou que a hantavirose foi registrada pela primeira vez no Brasil em 1993 no interior do Estado de São Paulo e até hoje já foram registrados 353 casos da doença, que culminou na morte de 161 pessoas – os Estados que registraram mais casos foram o Paraná (92), São Paulo e Minas Gerais (60) e Santa Catarina (51). “O rato silvestre é o transmissor e exterminá-lo é a melhor forma de evitar a hantavirose, pois não existe remédio ou vacina”, conclui.

 

 

Mídia Max

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