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4 de Agosto de 2004 14h27

Memorando dos EUA sugeriu ataque na América do Sul

Menos de dez dias depois dos ataque de 11 de setembro de 2001, um alto funcionário da administração americana sugeriu ao secretário de Defesa um ataque na América do Sul ou no Sudeste Asiático para "surpreender os terroristas". A sugestão está em um memorando, citado em uma das notas de rodapé do relatório feito pela Comissão que investigou os ataques de 11 de setembro.

"Em um memorando que parece ser do subsecretário de Defesa, Douglas Faith, para (o secretário de Defesa Donald) Rumsfeld, datado de 20 de setembro, o autor expressa decepção com as opções limitadas (de alvos) disponíveis no Afeganistão e a falta de opções para uma operação em terra", diz o documento da comissão.

"O autor sugeriu que os terroristas fossem atacados fora do Oriente Médio, na ofensiva inicial, possivelmente selecionando um alvo não ligado à Al-Qaeda, como o Iraque", revela o relatório. "Como ataques dos Estados Unidos eram esperados no Afeganistão, uma ação na América do Sul ou no Sudeste Asiático poderia surpreender os terroristas", diz o relatório.

A comissão observa, no entanto, que "o memorando pode nunca ter sido visto por Rumsfeld ou poderia ser apenas um rascunho com sugestões para o secretário apresentar ao presidente".

Brasil
O relatório da comissão não traz o texto completo do memorando - que continua secreto - e não faz nenhuma referência a alvos específicos. Mas na edição desta semana, a revista americana Newsweek diz que os autores da proposta argumentavam que "um ataque a terrorista na América do Sul - por exemplo na remota fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, onde relatórios dos serviços de inteligência dizem que o Hezbollah tinha presença - teria um efeito cascata em outras operações terroristas".

O Brasil é citado duas vezes no relatório da comissão, devido à visita feita ao país por Khalid Sheikh Mohammed. Mohammed foi capturado pelos americanos no ano passado e é acusado de ter sido o mentor, dentro da Al-Qaeda, dos ataques de 11 de setembro de 2001.

"Khalid Sheik Mohammed continuou a viajar pelo mundo fazendo contatos com a comunidade jihadista mundial depois da prisão de Ramzi Youssef (condenado pelo atentado ao World Trade Center de 1993), visitando o Sudão, o Iemem, a Malásia e o Brasil, em 1995. Não há nenhum indicação clara que ligue ele a atividades terroristas nestes locais", diz o relatório no capítulo 5 - A Al-Qaeda mirando o território americano.

"Enquanto no Sudão, Mohammed não teria conseguido atingir seu objetivo de se encontrar com Bin Laden, mas se encontrou com Mohammed Atef (um dos chefes militares da Al-Qaeda), que lhe passou um contato no Brasil", diz o relatório. Numa nota de rodapé, a comissão diz que Mohammed confirmou, ao ser interrogado, que "entre 1993 e 1996, viajou para a China, as Filipinas, o Paquistão, a Bósnia (pela segunda vez), o Brasil, o Sudão e a Malásia".

 

BBC Brasil

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