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Meirelles seguirá orientação do governo sobre Senado

25 Ago 2004 - 14h43
O presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles, disse que seguirá a orientação do governo sobre o convite para comparecer a uma audiência pública no Senado, e reforçou a autonomia do BC na condução da política monetária.

"Estamos analisando com o comando político do governo. Sou, nesse aspecto, um homem disciplinado que segue o ritual", disse Meirelles a jornalistas nesta segunda-feira, antes de participar de um seminário sobre política econômica, realizado pelo PTB em Brasília.

No início do mês, duas comissões do Senado aprovaram convites para Meirelles falar sobre política econômica em meio a várias denúncias publicadas na imprensa sobre eventuais irregularidades fiscais em suas finanças pessoais. No último dia 16, o governo anunciou a edição de uma medida provisória que eleva a ministro o status do presidente do BC.

Segundo Meirelles, "as decisões sobre política monetária são tomadas de forma autônoma e soberana pelo Copom". O Comitê de Política Monetária reúne-se mensalmente para definir a taxa básica de juros da economia brasileira, atualmente em 16 por cento ao ano.

"O fato concreto é que o Brasil vai muito bem. Temos um compromisso muito grande (...) para que não só o Brasil continue indo muito bem, mas de fato criemos as condições para um crescimento sustentável. Este é o compromisso com o país e com o presidente Lula, que nos deu autonomia, portanto, para isso."

Meirelles afirmou que o tripé taxa de juros real e políticas fiscal e cambial tem amparado o crescimento da economia e que a queda do risco país é influenciada pela desaceleração da relação dívida/PIB.

"A estabilidade da economia é quem vai resolver todos os problemas de longo prazo, inclusive a questão do juros", afirmou o presidente do BC acrescentando que a taxa de juros real, descontada a inflação, está em patamares historicamente baixos.

O risco-país do Brasil tem operado nas últimas semanas na faixa dos 500 pontos-básicos.

TOM POLÍTICO

Em sua primeira entrevista coletiva como ministro, Meirelles respondeu perguntas dos deputados do PTB e deu um tom político às suas respostas, mas não quis responder sobre a suposta polêmica envolvendo seu novo status.

Ele citou que a relevância da aprovação da nova Lei de Falências, que tramita na Câmara dos Deputados, para a redução das taxas de juros praticadas pelos bancos privados, e a importância das Parcerias Público-Privadas, no Senado, para aumentar o nível de investimento em infra-estrutura.

"O grande mérito da redução do spread que já está acontecendo e vai ser acelerado reside na atividade e nos trabalhos do Congresso Nacional que aprova as leis básicas que vão permitir que a economia ande num tom melhor", afirmou Meirelles em resposta às perguntas dos deputados petebistas.

O cenário no Congresso, no entanto, não tem ajudado. A votação da Lei de Falências foi adiada para setembro e a do projeto das PPPs segue indefinida.

Segundo o ministro, as taxas de juros cobradas por instituições estatais, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, para empréstimos contribui com a redução do spread.

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