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5 de junho de 2010 09h45

Médicos procuram exame preciso para hiperatividade

Folha Online

Estou sentada em frente a uma estrutura cinza que parece uma cabine de avião. Quando mexo a cabeça, um refletor na minha testa avisa o rastreador infravermelho.

Olhando para a tela, devo clicar o mouse cada vez que vir uma estrela com cinco ou oito pontas, mas não para as de quatro pontas.

É uma tarefa simples. Então, por que erro toda vez?

Martin Teicher, o psiquiatra de Harvard que inventou o teste, explica a dificuldade.

"Você tem sinais de problema de atenção." Isto é, tenho um caso "sutil" de transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Na verdade, eu já havia sido diagnosticada há três anos. Não só eu cliquei vezes demais na hora errada, mas os movimentos da minha cabeça sugerem que mudo meu estado de atenção, alternando concentração e distração.

A invenção de Teicher, o Sistema de Quociente de TDAH, é um dos muitos esforços para achar provas biológicas para esse transtorno.

Muitos críticos dizem que o transtorno vem sendo superdiagnosticado por médicos associados às indústrias farmacêuticas, que só querem empurrar remédios para os pacientes.

Outro problema levantado é que o tratamento padrão -uso de remédios estimulantes como a Ritalina- pode causar efeitos colaterais, especialmente em crianças em que o problema não tem fundo biológico.

QUESTIONÁRIO

Mesmo com os perigos dos diagnósticos errados, o método mais comum de detectar o problema é subjetivo.
Os pacientes -junto com seus pais e professores, se forem crianças- respondem a questões sobre sintomas que a maioria dos mortais têm de vez em quando.

"Você (ou seu filho) comete erros por descuido? Você parece não escutar quando as pessoas falam com você ?"
Nesse método, as respostas e o diagnóstico dependem do estado de espírito do paciente, pai ou professor.

Pior, pais e professores podem discordar, obrigando o médico a escolher em quem ele deve acreditar.

Tudo isso ajuda a explicar por que um teste objetivo virou o "cálice sagrado" segundo Stephen Hinshaw, diretor do departamento de psicologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Ainda assim, ele e outros especialistas não estão convencidos de que os testes desenvolvidos até agora superam o método tradicional.

Randall Bloch, o psiquiatra que demonstrou o programa para mim, diz que não diagnosticaria uma pessoa com base só no teste de Teicher, mas acha que o sistema é útil para confirmar diagnósticos em casos de pacientes refratários ao tratamento com remédios.

O Sistema Quociente também ajuda o psiquiatra a desencorajar pacientes que dizem ter problemas de atenção mas que, ele acha, querem tomar os estimulantes só para se divertir ou para melhorar a produtividade.
"Dá para perceber se eles estão tentando trapacear no teste", diz o médico.

James M. Swanson, um psicólogo que pesquisa atenção na Universidade da Califórnia, em Irvine, elogia o esforço de Teicher, mas questiona a eficácia do aparelho.

"O teste é uma tarefa chata e tediosa. Você quer medicar seu filho para que ele preste atenção a tarefas tediosas?"

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