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Brasil

Médicos da PM atendem pacientes em Alagoas

20 Ago 2007 - 17h19
A greve dos médicos da rede estadual de Alagoas, que já dura quase três meses, prejudica 2 mil pacientes por dia. Nesta segunda-feira (20), o Governo do estado convocou médicos da Polícia Militar para atender a população.
 
O hemocentro de Maceió amanheceu sem médicos. Os hematologistas, que pediram demissão, já cumpriram o aviso prévio. No Hospital Pronto-Socorro de Maceió, os neurocirurgiões também não assumiram o plantão. No meio da manhã, o governo convocou médicos da PM para assumir o serviço.
 
Postos e unidades de saúde estão parados por causa da greve. Por dia, são mais de 2 mil pessoas sem atendimento.
 
O governo decretou situação de emergência na sexta-feira (17) e tenta, agora, garantir a transferência dos casos mais graves para leitos em hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB) e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, estão reunidos em Brasília para discutir soluções para a crise da Saúde no estado. 
 
 Morte de paciente
Na Paraíba, os pacientes também sofrem com a falta de atendimento. A greve dos cirurgiões cardíacos entra no quarto dia e deixa 500 pessoas na lista de espera. Os profissionais querem reajuste na tabela do SUS que, segundo eles, está defasada há mais de dez anos.
 
A família de uma paciente que precisava de cirurgia e morreu no fim de semana diz que vai entrar na Justiça. O corpo de Elizângela Ferraz Souza, de 28 anos, foi enterrado nesta segunda em Cabedelo (PB). Segundo os parentes, na semana passada, a mãe de Elizângela tentou marcar a cirurgia. Mas os atendentes do hospital credenciado disseram que não seria possível por causa da greve.
 
Na quinta-feira passada (16), a paciente chegou a dar uma entrevista em que previa o pior. "Não sei se estarei aqui amanhã, estou dependendo dessa greve", disse.
No domingo (19), Elizângela teve uma arritmia cardíaca e morreu a caminho do hospital.
 
O Ministério Público deve entrar com ação civil contra a Secretaria Municipal de Saúde, hospitais credenciados e médicos. "O direito à vida prevalece sobre todos os demais direitos. O médico tem o dever profissional de atender os casos de urgência", diz a procuradora Ana Raquel Beltrão.
 
A Secretaria de Saúde de João Pessoa disse que vai entrar com uma queixa-crime contra a cooperativa dos médicos cirurgiões contra o hospital e o corpo clínico por omissão de socorro.
 
 
G1

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