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Médico particular de Maradona não sabe se ele resistirá

13 Abr 2007 - 17h51
O médico particular do ex-jogador da seleção argentina de futebol, Diego Maradona, Alfredo Cahe, colocou em dúvida a capacidade de resistência da saúde do seu paciente, internado, novamente, na madrugada desta sexta-feira. "A pergunta é: ´Quanto ele pode agüentar?´", disse o médico em entrevista a Radio Diez, de Buenos Aires.

Maradona foi transferido, na manhã desta sexta, do hospital Madre Teresa de Calcutá, onde chegou de ambulância, às cinco da manhã, para o Sanatório de los Arcos (clínica médica), no bairro de Palermo, a cerca de vinte minutos do centro da capital argentina.

Pouco antes da sua transferência, o médico do hospital Madre Teresa de Calcutá, Oscar Cicco, disse que Maradona foi internado na UTI "por precaução", passa bem e foi controlada a forte dor abdominal que sentia, na hora que foi internado.

"A dor pode ser pelo pâncreas. Mas os primeiros exames não indicam pancreatite, apesar de a doença não está descartada. Os exames deram normal.Mas os resultados hepáticos saíram um pouco alterados", disse Cicco.

Segundo os médicos, nas 48 horas após ter tido alta, depois de duas semanas de internação, Maradona respeitou a dieta e não tomou bebidas alcoólicas.

"As dores surgiram de repente", disse Cahe, que estava com o paciente quando ele passou mal. Ao dar entrada no hospital, por volta das cinco da manhã, o ex-craque repetia: "Doutor, me livre desta dor".

Sedado, Maradona não reagiu aos exames, de sangue e eletrocardiograma, entre outros, segundo Cicco, mas insistiu que queria não sentir mais dores. "Por isso, nosso primeiro objetivo foi eliminar sua dor gástrica", explicou o médico.

Para o especialista, a vida de Maradona não corre perigo - "neste momento". Mas para Cahe, houve "perigo" e por isso ele decidiu interná-lo de urgência.

Segundo os especialistas, Maradona continua recebendo apoio psiquiátrico. "Para Diego, isso é fundamental", disse Cicco.

Cahe chegou a admitir que o ex-craque argentino não deveria ter tido alta, na madrugada de quarta-feira. Naquele mesmo dia, poucas horas depois, com a voz cansada e quase incompreensível, Maradona disse que Cahe não era mais seu medico e que iria - "mesmo de soro e de ambulância" - assistir ao jogo, no domingo, entre Boca Juniors e River Plate.

Como Cahe estava com o paciente na hora em que ele se sentiu mal, a imprensa argentina interpreta que não houve o rompimento anunciado pelo ídolo argentino e o especialista que há trinta anos cuida de sua saúde.

Ministro está preocupado

O ministro da Saúde da Argentina, Ginés González García, declarou que está preocupado pela forma como é realizado o tratamento de saúde de Maradona. “É um horror!”, exclamou o político, que indicou que não há uma pessoa conduzindo o turbulento tratamento do ídolo.

“É um espanto! É como se a gente estivesse em um avião no meio de uma tempestade e subitamente percebemos que não há piloto algum na cabine”, analisou o ministro, “não é possível continuar dessa forma”, lamentou. “É preciso tomar uma decisão com seu futuro e saúde. É preciso deixar de brincadeira”.

González García sustentou que Maradona precisa tomar por si próprio a decisão de realizar um tratamento terapêutico. “Não digo estas coisas como médico, mas sim, como argentino, como um cara que gosta do Maradona, como todos os argentinos”.

 

 

Estadão

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