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Matrículas aumentam mas falta qualidade à escola, diz Unesco

9 Nov 2004 - 08h19
O Relatório Mundial de Monitoramento sobre Educação para Todos lançado hoje, em Brasília, indica que cada vez mais as crianças brasileiras entre 7 e 14 anos estão estudando. O problema é que as escolas freqüentadas pela maioria não oferecem ensino de qualidade e muitos abandonam as salas de aula após completar a 5ª série do ensino fundamental.

Apesar de afirmar que não há uma "receita universal" para melhorar a qualidade da educação, o relatório da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) indica que uma carga horária diária de 4h25 a 5 horas, no caso brasileiro, poderia influir positivamente nos sistemas de ensino.

No Brasil estuda-se, em média, 4h15 por dia. O documento aponta ainda a qualificação dos professores como um fator capaz de influir positivamente na qualidade do ensino.

A pesquisa analisou o sistema educacional de 127 países com base em dados oficiais fornecidos pelos países referentes aos anos de 2001 e 2002. O Brasil ficou em 72º lugar nesse ranking e faz parte do grupo de países que terá condições, segundo o relatório, de conseguir alcançar algumas das metas estabelecidas em 2000 no Fórum Mundial de Dacar (Senegal), até 2.015.

As metas dizem respeito aos seguintes temas: universalização do ensino primário, qualidade da educação, redução de 50% da taxa de analfabetismo entre adultos, direito de estudantes de ambos os sexos terem acesso à educação, expansão da educação infantil e oportunidades aprimoradas para a educação de jovens e adultos.

Brasil

Segundo o relatório da Unesco, os países têm se empenhado para aprimorar seus sistemas de ensino seguindo os parâmetros estabelecidos em Dacar. O Brasil, por exemplo, avançou em relação à universalização do ensino e ocupa o 32º lugar do ranking no que se refere à essa taxa.

Em relação à taxa de alfabetização de adultos, fica em 67º; em 66º lugar em relação à igualdade do acesso ao ensino entre homens e mulheres e em 87º lugar em relação à evasão de estudantes após a 5ª série. Este último indicador, que mostra a qualidade do ensino, é o responsável pela queda do Brasil no cômputo geral do ranking.

"Se os governantes dos países em desenvolvimento computassem os gastos educacionais como investimentos já teríamos avançado mais", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a abertura da Conferência Mundial de Educação, que antecedeu a divulgação do relatóprio.

A pesquisa diz ainda que a comunidade internacional tem um importante papel a cumprir no que diz respeito ao financiamento da educação nos países pobres. Hoje, o apoio internacional à educação básica está estimado em torno de US$ 1,5 bilhão por ano, mas esta cifra está aquém dos US$ 5,6 bilhões por ano necessários para alcançar a educação primária universal até 2015, destaca a Unesco.

"Turmas superlotadas, professores mal qualificados e escolas mal equipadas com parcos materiais de aprendizado continuam situações muito familiares em vários países", afirmando o diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura.
 
Folha Online

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