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14 de Setembro de 2004 17h48

Mantega contraria Dirceu sobre inflação

O ministro Guido Mantega (Planejamento) disse hoje que vê pressão inflacionária na economia, discordando de afirmações feitas ontem pelo ministro José Dirceu (Casa Civil) de que não existe pressão sobre a inflação que coloque em risco a meta do governo.

'Nós detectamos ao longo do ano alguma pressão inflacionária, sim. Tanto que a expectativa para o IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo, do IBGE] para este ano está acima de 7%', disse Mantega, hoje, ao chegar para o Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

A meta central do governo para 2004 é de 5,5%. No entanto, há uma margem de erro de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo. Ou seja, se a inflação atingir 8% no ano, supera a meta central, mas ainda assim fica dentro da margem de erro.

Na avaliação de Mantega, o aumento da inflação é causado principalmente pelas commodities (matérias-primas ou alimentos in natura) em razão do 'sucesso do Brasil no exterior' com as exportações. 'Estamos conseguindo exportar tanto que somos contaminados pela elevação dos preços das commodities', afirmou.

O ministro considerou, porém, que a decisão de aumentar ou não o juro é 'exclusivamente' do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que se reúne hoje e amanhã.

Mantega disse ainda que as decisões mensais do Copom não devem ser objeto de amplas discussões na sociedade, discordando mais uma vez de José Dirceu, que defendeu ontem o debate na sociedade sobre o juro e criticou o fato de não poder comentar a ata da reunião do comitê.

'Sai a ata do Copom e ninguém pode falar sobre isso. Estamos ou não numa democracia? Eu tenho que tomar cuidado porque sou ministro e sou bastante disciplinado ao Lula. Mas também sou cidadão, sou parlamentar pelo meu Estado [SP], e tenho responsabilidades no projeto que o meu partido [PT] construiu em 23 anos. Não sou um robô que obedeço', disse ontem Dirceu no evento da FGV.

Segundo Mantega, as medidas pontuais do Copom não têm que ser discutidas. 'Isso não é objeto de discussão. É só o Copom que tem que fazer isso', afirmou o ministro do Planejamento hoje.

'Eu não vi as declarações do Dirceu e não creio que ele tenha dito que não há liberdade, porque no governo temos vários fóruns. Mas, no caso das taxas de juros, essa é uma decisão do Copom e não adianta a gente fazer uma discussão ampla', disse.

Ele acrescentou que pode ser feita uma discussão ampla sobre os rumos da economia, sobre a existência ou não de pressão inflacionária e outros temas.
 
Folha Online
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