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Brasil

Lula quer inteligência no combate ao narcotráfico

21 Out 2004 - 14h02
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em discurso na solenidade de posse do empresário Eduardo Eugênio Gouveia Vieira na diretoria da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que é preciso investir na inteligência das polícias para que elas possam combater o narcotráfico de forma eficiente.

"Combater o narcotráfico não é combater com a polícia que foi preparada historicamente para enfrentar ladrão de galinha. É para investir na inteligência. O crime organizado é uma indústria multinacioanl muito rentável. Ele tem seu braço no judiciário, seu braço empresarial, se braço político, tem braço em muitos lugares que a gente pensa que só tem gente boa", declarou.

Economia
O presidente destacou que, apesar de ser um ano eleitoral, as decisões do governo não levam em conta as eleições. "Se o governo FHC tivesse mudado a política cambial em 1998 e aumentado a taxa de juros, que estava em 15% em 2002, não era preciso elevar os juros hoje", afirmou.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou ontem a elevação da taxa básica de juros de 16,25% para 16,75% ao ano. Lula também lembrou a decisão de elevar este ano a meta de superávit primário do governo para 4,5% do Produto Interno Bruto.

O presidente falou ainda sobre a participação dos empresários no debate sobre políticas de desenvolvimento. "Criamos um Conselho de Desenvolvimento com a participação de 11 ministros e de 11 representantes da sociedade, dos quais oito são representantes dos empresários. Além disso, o ministro Antônio Palocci apresentou 21 medidas que foram sugestões desse Conselho para que se pudesse fazer redução de terminados tributos", afirmou. Lula comemorou ainda a geração de mais de 1,6 milhão de empregos na construção civil desde o começo do ano.

Reforma da Previdência e PPP
Lula criticou o Congresso Nacional por demorar para aprovar a reforma da Previdência no ano passado. "Não há país do mundo em que não houve problemas com essa reforma. A expectativa de vida do brasileiro aumentou. A mudança tem que se pensada para o futuro e não para aqueles que estão vivendo hoje."

O presidente voltou a defender hoje aprovação do projeto de lei que institui as Parcerias Público-Privadas (PPPs). "Esse é um projeto em que ouvimos 12 mil representantes da sociedade civil. Não sei qual o problema para aprová-lo no Congresso. Enquanto isso, estamos jogando no ralo essa parceria tão importante", afirmou.

O projeto de lei das PPPs está em análise na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e precisa ainda do aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ser votado em plenário na Câmara dos Deputados. Segundo o presidente, o projeto é importante para promover o desenvolvimento a longo prazo do País. "Queremos plantar algo que dure 20 anos e não um vôo de galinha".

O presidente defendeu ainda que todos os projetos no Congresso devam ser debatidos com a população. "É preciso muita discussão para tornar os projetos possíveis de serem executados. Lamentavelmente, estamos retardando esse processo. O pensamento ideológico tem que acabar. O povo brasileiro quer sentir em que está sendo beneficiado", ressaltou.

 

Terra

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