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Lula organiza "agenda latina" para 2005

16 Ago 2004 - 15h29
Já dando como certa a integração física do Mercosul até dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia hoje o que assessores do Palácio do Planalto estão chamando diplomaticamente de "avanço favorável" junto aos países da América Latina e do Caribe.
     
     Entre hoje e amanhã, Lula tem agenda oficial em Santo Domingo, na República Dominicana. Acompanha a posse do presidente eleito do país, Leonel Antonio Fernandez Reyna, 50, e, no dia seguinte, participa de uma cúpula de países da região. Lula desembarcaria no final da noite de ontem em solo dominicano.
     
     Na quarta-feira, o presidente estará em Porto Príncipe (Haiti), onde se encontra com autoridades locais e assiste ao amistoso de futebol entre brasileiros e haitianos, numa jogada estratégica para quem aspira integrar de forma definitiva o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).
     
     "O Brasil tem de fixar as suas prioridades. Em 2003, todos sabem que tivemos uma atuação mais focada na América do Sul. Agora, em 2004, avançamos num clima favorável à América Latina e ao Caribe", disse Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência para assuntos internacionais.
     
     Às autoridades da América Central e Caribe, Lula quer cravar o papel de líder sul-americano que o Brasil acredita já ter obtido. Falará que todos têm de negociar de cabeça erguida, que ninguém deve se considerar derrotado de antemão e que o Brasil tem apresentado uma atitude de firmeza com os mais fortes e de abertura e compreensão com os mais fracos. Citará, também, as recentes vitórias brasileiras na OMC (Organização Mundial do Comércio).
     
     Em recente discurso no Brasil, Lula resumiu: "Nós gostamos de nós, nós acreditamos em nós, nós temos direitos e brigamos por eles. E eu acho que os espaços conquistados demonstram que nós estávamos certos. E pretendemos brigar muito mais porque é um campo excepcional."
     
     Para Marco Aurélio Garcia, a viagem de Lula ao Haiti diante da realização do chamando "jogo da paz" é um "tremendo símbolo" para o Brasil --que lidera no Haiti uma força de paz da ONU, instalada depois que rebeldes armados avançaram contra a capital do país e tiveram êxito no pedido de renúncia do então presidente Jean-Bertrand Aristide. "Seria estranho se não reagíssemos com a situação do Haiti", disse Garcia.
     
     A missão ao Haiti servirá também para os objetivos de política externa do governo federal. Uma das principais bandeiras externas do Itamaraty é reformar o Conselho de Segurança da ONU, para conquistar uma cadeira definitiva na instituição. Atualmente, apenas EUA, Reino Unido, França, Rússia e China são membros permanentes do conselho.
     
     Para o secretário-geral das Relações Exteriores do Itamaraty, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães Neto, seria "inconveniente" ao Brasil não ter acatado o pedido da ONU para atuar no Haiti.

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