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11 de Novembro de 2004 07h13

Líder palestino Iasser Arafat morre na França aos 75 anos

 

Mohammad Abdel Rauf Arafat al Qudwa al Husseini, mais conhecido como Iasser Arafat, morreu às 3h30 desta quinta-feira (0h30, horário de Brasília), aos 75 anos, com falência múltipla dos órgãos, após 13 dias internado no hospital militar Percy, em Clamart, a sudoeste de Paris, de acordo com o anúncio de Christian Estripeau, porta-voz hospital.

A morte de Arafat, o mais importante líder palestino e símbolo da luta contra a ocupação israelense, marca o fim de uma era de resistência e enfrentamentos com os israelenses para a criação de um Estado palestino no Oriente Médio. Considerado um líder radical pelos israelenses, Arafat não preparou um sucessor e se mostrou relutante em ceder poderes.

Em seu lugar, devem ganhar destaque agora o ex-primeiro ministro da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas [conhecido como Abu Mazen], e o atual primeiro-ministro, Ahmed Korei. Ambos são considerados líderes mais moderados o que, em tese, poderia facilitar as negociações com Israel e os Estados Unidos.

Em uma reunião feita nesta quarta-feira, líderes palestinos concordaram, pelo menos temporariamente, em seguir a legislação e promover o presidente do Conselho Legislativo palestino, Rawhi Fatouh, em presidente da ANP.

Negociações de paz

Por sua vez, o governo de Israel agora terá uma tarefa difícil: provar que Arafat, assim como afirmava, era o principal empecilho para pôr fim ao conflito israelo-palestino. Com o apoio dos Estados Unidos, Israel manteve o líder palestino confinado em um complexo bastante deteriorado, a Mukata [sede do governo palestino], durante quase três anos.

Enterro e segurança

A França se comprometeu a fazer o traslado do corpo de Arafat, depois que Israel deu garantias de que ele poderia voltar [vivo ou morto] aos territórios palestinos. A expectativa com a morte de Arafat desencadeou também outra onda tensão entre Israel e a ANP. Sharon proibiu que Arafat fosse enterrado em Jerusalém [capital de Israel e reivindicada como capital do futuro Estado palestino], como desejava o líder palestino.

Arafat deve ser sepultado em Ramallah, principal cidade da Cisjordânia. Os palestinos preparam o velório no prédio do quartel-general de Arafat, que teve parte destruída após um ataque israelense. No local, deverá ser construída uma mesquita. Antes de chegar a Ramalhah, o corpo deve fazer uma escala no Cairo para uma cerimônia da qual participariam líderes árabes da região.

A realização de uma cerimônia no Egito teria como objetivo facilitar a presença de líderes do mundo árabe na homenagem final a Arafat. A idéia original era que a cerimônia fúnebre de Arafat acontecesse na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém --terceiro local mais sagrado para os islâmicos depois das cidades de Meca e Medina, ambas na Arábia Saudita.

A polêmica toda gira em torno da Esplanada das Mesquitas, também um local sagrado dos judeus. Lá existiu o grande templo judeu, destruído no ano 70 pelos romanos, do qual restou apenas o Muro das Lamentações, mais importante ponto de peregrinação do judaísmo.

Morte

Arafat morreu hoje no hospital militar Percy, que conta com um moderno centro de hematologia. Ele foi levado da Cisjordânia para a França no último dia 29 de outubro, depois de ter seu estado de saúde agravado por desmaios e perda de consciência. O líder palestino foi removido para a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) na quarta-feira (3), depois de um agravamento de seu estado de saúde.

Desde o dia de sua internação na França, a doença de Arafat e seu real estado de saúde passaram a ser fonte de especulações e boatos --especulava-se a possibilidade de uma leucemia em estágio avançado, descartada pelos médicos que o atenderam e o examinaram na França. O governo palestino afirmava apenas que a degradação de saúde de Arafat fora desencadeada por forte gripe, problemas estomacais e confinamento de quase três anos em seu QG em Ramallah [Cisjordânia], imposto pelo governo de Israel.

A desinformação sobre o real estado de Arafat chegou inclusive a causar constrangimento ao presidente reeleito dos Estados Unidos, George W. Bush, 58, que, durante sua primeira entrevista após a reeleição, lamentou a morte do líder palestino e disse: "Deus abençoe sua alma". Leila Shahid, representante da ANP na França foi a responsável por desmentir todos boatos a respeito de Arafat, assim com por controlar informações a respeito de seu real estado de saúde.

Ela desmentiu também a informação de morte de cerebral de Arafat. Arafat era casado com Suha Tawil, 42, mas o casamento deles teria acabado logo após o nascimento da filha do casal, Zahwa, 9. A mulher e a filha de Arafat vivem na França.


Folha Online
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