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Fátima do Sul, 16 de Dezembro de 2017
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22 de Novembro de 2004 13h36

Leia o Artigo “Psicoterapia” de Adriana de Souza

Psicoterapia, um tratamento sujeito a sucumbência, fruto do próprio descaso social

 

 

 

* Adriana de Souza Cardoso

 

Não é nada difícil aparecer em “nossos consultórios”, pessoas interessadas em fazer psicoterapia, geralmente chegam dotadas por uma “sabedoria médica” e com alguns exames em mãos e muitos medicamentos no “currículo de tratamento” os quais denominam-se apenas como “os de tarja preta”. Tais clientes nos surpreendem com seus relatos recheados de altíssimas doses de sofrimento e frustrações ao longo de suas vidas, há de se ressaltar que em muitos casos, vidas bem “curtas”, partindo-se da idéia de idade apenas.

Algum tempo após ouvirmos as queixas dos clientes e identificarmos alguns comportamentos inaptos que lhes causam sofrimentos, geralmente se ouvem também perguntas do tipo: “Mas terapia é isto? A Dra. Não irá me receitar nenhum medicamento?” Ou ainda afirmações tais como: “Te contei tudo isso, mas acho que não tem nada a ver com a minha doença!” Ou, “Não tenho mais nada para te contar!” (Como se tudo não passasse de um bate-papo sofrido). Compreendo neste instante não só as angústias quanto ao tratamento vindo do cliente em questão, mas principalmente as condições sociais de nossa profissão (psicólogos – piscoterapeutas).

Interessa-nos identificarmos como e quando os indivíduos estão tendo um contato efetivo com os efeitos de nosso trabalho. Espera-se que as pessoas adoeçam para “oferecer-lhes” psicoterapia e ainda os “obrigam” a romper de forma brusca uma idéia cultural de que o medicamento, “já que estou doente”, é a maneira mais rápida e segura de obter a cura (não os desmerecendo é claro). A fala, algo usado até mecanicamente pelos indivíduos na psicoterapia (para alguns), torna-se algo banal, sem importância, ou na realidade os colocam de frente com seus problemas, fazendo-os confrontá-los a ponto de modificar seus comportamentos. Quando isso se torna insuportável para o cliente ou às vezes para a sua família, o abandono da psicoterapia é inevitável, enquanto a figura do tratamento psicoterápico acaba sucumbindo na maioria das vezes devido ao próprio descaso social.

Na realidade o psicólogo deve atuar em todas as esferas onde haja seres humanos, e a nossa atuação deve partir antes que as pessoas adoeçam ou entrem em “estado de risco”. Isto até parece utopia, pois muitas vezes está além de nossos meros empregos ou mesmo no campo de atuação, porém nos induz a uma intensa reflexão com referência ao nosso papel social e incomoda-nos perceber que há escola, empresas, clubes de serviços, associações esportivas, igrejas, entidades filantrópicas, etc., sem psicólogos, e o que nos resta é vermos e sentirmos a sociedade adoecendo e nos procurando (quando ainda há forças), com seus “encaminhamentos” diversos para uma possível psicoterapia salvadora (!), onde o cliente fala, fala, fala, e acaba discutindo seus conflitos na maioria das vezes mecanicamente.

Ainda surpreende-nos tais marcas, muitas vezes não terem feito-se necessárias, fosse a prevenção e a própria psicoterapia algo mais desmistificado e presente na vida das pessoas. Quantas mulheres, por exemplo, tiveram algum tipo de atendimento psicológico durante a gestação, ou jovem durante suas escolhas profissionais, trabalhadores frente à aposentadoria, pessoas que resolvem unirem-se para formar uma família e tantos outros que poderíamos citar.

Fica em nós o simples desejo de uma administração mais eficaz dos recursos psicológicos e do próprio homem, que é um ser em constante mutação, valorizando desta forma o que há de mais interessante na vida, as relações.

 

 (*) Psicóloga da Secretaria

 Municipal de Saúde

 de Deodápolis

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