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Leia o artigo “O Transporte Desumano de Doentes”, por Marcos Troquez

27 Ago 2010 - 18h30Por

O TRANSPORTE DESUMANO DE DOENTES

 

 

 

Marcos Troquez *

 

 

 

Recentemente, loquei uma “VAN” com um grupo de amigos para fazer uma pequena viagem turística – cerca de 300 km entre a ida e a volta.

 

 

Na ida, só alegria: todos descansados, bem dispostos e felizes. Porém no retorno, já cansados, não pudemos deixar de sentir o desconforto da viagem na “VAN”, pois em veículos deste tipo o conforto é substituído por um número maior de bancos estreitos, duros, não reclináveis e apertados.

 

 

Sem encontrar uma posição que me garantisse um mínimo de conforto e com muita dor nas costas, comecei a refletir sobre o meio de transporte utilizado pela maioria dos doentes de quase todos os municípios do interior do Estado (MS) para se locomoverem até Dourados e Campo Grande em busca de atendimento médico. Quando não vão “naquelas” ambulâncias, onde vai o paciente mais grave deitado na maca e os demais vão sentados em banquetas laterais, os doentes viajam nos veículos tipo “VAN”.

 

 

Vale lembrar que a maioria são idosos, crianças, gestantes, deficientes físicos, e o pior: estão doentes. Doentes estes que, na maioria das vezes, saem de suas cidades por volta das duas, três, quatro horas da madrugada. Viajam até 800 km, retornando às suas residências altas horas da madrugada, correndo os perigos das estradas, pois os motoristas destas “ambulâncias” chegam a dirigir por até 20 horas ininterruptamente.

 

 

Curioso é que, quando conseguem o atendimento, depois de todo este martírio, estas pessoas simples ainda se sentem devedoras aos gestores que lhes proporcionaram o atendimento.

 

 

Se para pessoas sadias em situação de passeio ou turismo, uma viagem nestas condições é terrível, fiquei imaginando o quanto sofrem estes infelizes que precisam se submeter a estas viagens em busca de tratamento médico. E quantos que, ao chegarem lá, no grande centro, são informados que terão de voltar um outro dia?!  Às vezes até no dia seguinte?!

 

 

Faço aqui um convite aos secretários municipais de saúde, aos prefeitos destes municípios e a todos os políticos que de alguma forma se beneficiam desta triste situação de miséria a que submetem estes pobres doentes: reserve uma vaga para uma viagem destas juntamente com os demais pacientes e nas mesmas condições deles para você, ou sua esposa ou seus filhos. Acredito que o remorso no seu coração – se você tiver “coração para sentir remorso” – será pior que a dor nas costas, nas pernas, no pescoço, etc, etc, etc.

 

 

Mas, como uma crítica não é nada sem que se apresente uma solução, apesar de que este artigo é mais um desabafo do que uma crítica, aqui vão as minhas sugestões para a resolução do problema:

 

 

1ª-  Uma saída que resolveria o problema de vez seria dotar todos os municípios do interior do Estado com estruturas de saúde que pudessem satisfazer as necessidades de  saúde de seus doentes, evitando assim estes deslocamentos cruéis. Entretanto, por diversos motivos (políticos, estruturais...) esta alternativa parece quase impossível;

 

 

2ª- Uma segunda opção seria melhorar as condições de transporte destes pacientes, substituindo os veículos menores e desconfortáveis por microônibus e ônibus. Veículos estes que possuem poltronas mais largas, macias, reclináveis e que também são mais seguros no trânsito pesado de nossas rodovias.

 

 

Esta 2ª opção é possível com certeza. Basta vontade política.

 

 

Desejo um mínimo de compaixão nos corações dos administradores e melhores viagens para vocês pacientes guerreiros. Que pelo menos tenham condições de dormir durante suas intermináveis viagens.

 

* Funcionário público federal.

 

Cidadão douradense

 

 (e-mail: marcostroquez@ibest.com.br)

 

 

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