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21 de Maio de 2010 18h20

Leia a coluna “Fala Sério”, por Antonio Jorge Rettenmaier

Logo_brazilian_packPara onde ele vai?

 



Não é nada difícil você estar rodado na estrada e de vez em quando se deparar com um andarilho. Louco, maluco varrido, desmiolado, débil mental, doidinho, são alguns dos adjetivos que normalmente logo se nos passam na cabeça para identificar aquele que na maioria das vezes anda de maneira abusada e perigosa na beira ou até mesmo no meio da estrada.

 


Mas poucos dias atrás ao passar por um desses tipos na beira de uma estrada, com um saco de andrajosos pertences dependurado nas costas, me veio a pergunta: "Para onde dele vai?"

 


Na verdade, ela ficou me martelando a cabeça hoje e não consegui a mínima indicativa de resposta. Como saber, adivinhar, ou pelo menos conjeturar? E se tivesse parado e perguntado, será que conseguiria alguma resposta concreta? A primeira conclusão que me chega é de que teria no mínimo uma resposta de doido. Ou será que ela seria uma resposta doída?

 


Mas posso e devo chegar à conclusão de que sua resposta não seria tão menos vazia daquelas que recebemos muitas vezes em nossas vidas, de pessoas, amigos e parentes que aparentemente não teriam nenhuma necessidade de andar à esmo, e o fazem mesmo sem sair do lugar.

 


Imaginemos chegarmos a algum parente ou amigo e perguntar como vai, e recebermos a resposta de "vou vivendo do jeito que Deus quer!" ou então "vou levando a vida como dá!".

 


Não seriam estas duas respostas iguais às que poderia nos dar o maluco da beira da estrada? Claro! Porque viver a vida do jeito que Deus quer, mas se sequer dermos uma forcinha para o velhinho lá de cima, ela jamais terá algum rumo ou destino melhor, e levar a vida como dá, soa mesmo como uma renúncia a procurar um amanhã melhor, aceitando que se tiver algum buraco no chão dará para se enfiar a cabeça e esconder a covardia, ou então, se por acaso houver alguma marquise iremos fazer a cama e dormir esperando para ver o que a vida ainda pode nos dar.

 


Eu vou continuar na eterna dúvida de para onde vai aquele andarilho e seu saco de andrajos e quinquilharias, até porque mesmo que tivesse parado e perguntado e ele me respondido, aposto que logo mais ali adiante na certa poderia muito bem resolver voltar sobre os próprios passos, ou mudar de rumo e caminhos. Mas tenho certeza de que aqueles que vão vivendo a vida como Deus quer ou a levando do jeito que dá, bem... Estes estarão piores do que ele, porque serão sempre assim, no continuar sempre no mesmo lugar.

 


Nem sequer serão capazes de viver a vida que Deus quer e muito menos viver o que a vida pode lhes dar.

 


Esqueci de falar de uma coisa interessante do andarilho da estrada... Ele tinha ao seu lado, como fiel parceiro e amigo, um cão amarelado que prestava a atenção aos seus passos e ao seu conversar.

 

 

Antonio Jorge Rettenmaier, Escritor, Cronista e Palestrante, membro da AGEI, Associação Gaúcha dos Escritores Independentes. Esta coluna está em 70 jornais impressos e eletrônicos do Brasil e Exterior.

 

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