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Lei do bullying origina projetos em cidades de MS‏

27 Jul 2010 - 15h50Por Fátima News

A lei 3.887, de 6 de maio deste ano, de autoria do deputado estadual Maurício Picarelli (PMDB), criou o programa de inclusão de medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying escolar no projeto pedagógico elaborado pelas instituições de ensino do estado. Além de Campo Grande, os municípios de Mundo Novo e Aquidauana estão desenvolvendo projetos para coibir essa ação intimista.

Em Mundo Novo, a Secretaria de Educação irá realizar na rede municipal de ensino, palestras para alunos e professores sobre a prática do bullying. Entre as práticas que serão usadas, de acordo com a secretária Edna Regina, estão redação, pesquisa e teatro.

Já em Aquidauana, a Escola Estadual Professora Dóris Mendes Trindade implantou o projeto “E se fosse você?”, que visa combater o bullying. Conforme a professora Candida Aparecida Alves da Cunha, o principal objetivo do programa educativo é que ele seja estendido a mais colégios da cidade e região.

Picarelli explica que, aos poucos, muitas escolas têm adotado medidas que acabam fortalecendo a lei. Em Campo Grande, por exemplo, o parlamentar costumava realizar palestras sobre o assunto em diversas escolas, antes mesmo da sanção da lei e foi esse um dos motivos para que o peemedebista lutasse por esse ideal.

Pela lei promulgada, o programa consiste na capacitação de docentes e equipe pedagógica para a implementação das ações de discussão, prevenção, orientação, solução e inclusão de regras contra o bullying no regimento interno das escolas públicas e privadas sul-mato-grossenses.

“O bullying tem tomado proporções gritantes, já que nas escolas públicas, a prevenção é dirigida aos professores, vistos como multiplicadores do saber. Em alguns casos, muitos chegam a ser humilhados em plena sala de aula. No caso dos alunos, alguns acabam parando de estudar”, adianta o deputado.

Apesar de não haver números oficiais, a prática de atazanar colegas – muitas vezes confundida por pais e educadores com uma simples brincadeira – já envolve 45% dos estudantes brasileiros, segundo estimativa do Cemeobes (Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar), organização com sede em Brasília (DF). O índice está acima da média mundial, que variaria entre 6% e 40%.

Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística) realizada nas capitais brasileiras mostra que Campo Grande, com 31,4%.

À frente de Campo Grande estão Brasília (35,6%), Belo Horizonte (35,3%), Curitiba (35,2%), Vitória (33,3%), Porto Alegre (32,6%), João Pessoa (32,2%) e São Paulo (31,6%). A população alvo da pesquisa foi formada por estudantes do nono ano do ensino médio fundamental de escolas públicas e privadas. O cadastro de seleção da amostra foi constituído por 6.780 escolas.

Os resultados mostraram que 69,2% dos estudantes disseram não ter sofrido bullying. O percentual das vítimas deste tipo de violência, raramente ou às vezes, foi de 25,4% e a proporção dos que disseram ter sofrido a prática na maior parte da vezes ou sempre foi de 5,4%.

Crianças e adolescentes com problemas de aprendizado na escola têm maior risco de se tornarem agressores, vítimas de bullying ou ambos, de acordo com nova pesquisa publicada pela American Psychological Association.

Os pesquisadores descobriram que a vítima típica de bullying tende a ser agressiva, com poucas habilidades sociais, pensamentos negativos, têm dificuldades em resolver problemas sociais, vem de famílias pouco estruturadas e são visivelmente rejeitados e isolados pelos colegas.

Os fatores que instalam e mantém essa violência são muitos e complexos: desde a perda da autoridade paterna e a dificuldade de diálogo, passando pela alienação da escola, até a violência urbana. No entanto, boa parte desse problema se origina dentro de casa.

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