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Kombi completa 50 anos e mantém liderança no mercado

3 Set 2007 - 10h29
Veículo que serviu para impulsionar vários negócios, ainda vende 24 mil unidades por ano. Não foram poucos que a partir dela começaram de bolsos vazios para fazer fortuna. Em seus 50 anos completados ontem, a história de sucesso da Kombi se confunde com a de muitos empreendedores que trilharam carreira vitoriosa no Brasil e, quem sabe, nos mais de 100 países para os quais foi exportada nestas cinco décadas de produção.
 
O dono das Casas Bahia, Samuel Klein, já declarou que foi numa Kombi que, no começo de seus negócios, distribuiu produtos de porta em porta. O empresário também Victor Civita usou o veículo na distribuição da Editora Abril. A Souza Cruz também foi grande cliente, chegando a ter na frota de até duas mil Kombi.
 
Das vendas da Kombi de janerio a julho, 61% foram para frotistas de médio e grande porte, 33% para varejistas (pequenos empresários e compradores particulares), e 6% para órgãos governamentais. Travestida de pastelaria, correios, transporte escolar, lotação entre outros, a Kombi preservou os atributos de primeiro monovolume do Brasil. Estacionou na segunda geração, mas até hoje exibe boas vendas.
 
De acordo com a Volkswagen, a Kombi vende em média duas mil unidades por mês. O marketing da montadora tem pouco trabalho com ela. Raramente, a Kombi está no estande das 550 concessionárias da marca. A montadora não precisa gastar em mudanças visuais a cada três anos (prazo médio para reestilização) e tampouco com campanhas de mídia.
 
Suas vendas se igualam às do Polo e Golf, para citar modelos dentro da própria Volkswagen. Qual o segredo da Kombi, um carro projetado pelo holandês Ben Pon na década de 40 do século passado? "É o melhor custo benefício da categoria", afirma o gerente-executivo de marketing da Volkswagen, Marcelo Olival. Ele reconhece que o carro está defasado tecnologicamente. "Mas é isto que o consumidor quer, porque satisfaz as suas necessidades. Ele não se dispõe a pagar mais. Todas as vezes em que tentamos introduzir mudança que implicasse aumento de preços, as vendas recuaram", afirma, lembrando que o veículo é o único da categoria que transporta o quanto pesa: uma tonelada.
 
Olival destaca ainda, como atributos, a durabilidade, facilidade de manutenção e economia de consumo e o preço na hora da compra. "O potencial comprador está inserido nas classes B e C e tem entre 30 e 45 anos. Ao comprar a Kombi, este consumidor não deseja apenas um veículo, e sim iniciar ou ampliar seu negócio." Segundo a Volkswagen, a Kombi mantém a liderança, com 53% das vendas na categoria. Quem compra Kombi raramente faz seguro. O valor da apólice chega a R$ 10 mil. "A maioria prefere bancar o risco, porque, com o preço médio do carro a R$ 40 mil, o seguro inviabilizaria a compra", diz Olival.
 
A montadora lista como concorrentes o Ducato e Fiorino (Fiat), Master (Renault), Sprinter (Mercedes-Benz), Boxer (Peugeot), Jumper (Citroën), Besta (Kia). Segundo Olival, a Kombi responde por 7,2% do segmento de veículos comerciais leves, com 13.259 unidades nos primeiros sete meses deste ano.
 
Desde o dia 2 de setembro de 1957, saíram da linha de produção na fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo (ABC), 1.427.993 unidades. O mercado interno absorveu 1.290.726 unidades (de 1957 a julho de 2007). Neste período, foram exportadas 182 mil unidades. Os principais mercados foram Argélia, Argentina, Chile, Peru, México, Nigéria, Venezuela e Uruguai.
 
Na linha de produção pouca coisa mudou. No Brasil do presidente Juscelino Kubitscheck , a Kombi foi lançada em meio às obras da fábrica, que seria inaugurada só dois anos depois. Com índice de nacionalização de 50%, tinha motor de 1.200 cc.
 
Ao longo do tempo, foram várias versões da Kombi, palavra originária do alemão "Kombinationfahrzeug", que significa veículo combinado ou de multiuso. Quatro anos após o seu lançamento, chegou ao mercado o modelo seis portas, nas versões luxo e estândar, com índice de nacionalização de 95%. A versão picape surge em 1967, já com motor de 1.500 cc. O motor diesel 1.6, a água, surgiu em 1981. No ano seguinte surge o modelo a álcool. As versões a diesel e cabinas duplas deixaram de ser produzidas em 1985. No final de 2005, a Kombi passou a ser equipada com motor 1.4 flex.
 
Atualmente, a Kombi é produzida em um turno na fábrica da Anchieta. São 320 empregados na linha. A Volkswagen produz 90 unidades diariamente. Qual o futuro da Kombi? Para Olival, o veículo venderá pelo menos, mais dez anos no Brasil. Ele reconhece que, com o mercado maior, a Kombi perderá força. "Mas sempre haverá interessados no custo-benefício da Kombi".
 
 
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