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30 de Março de 2007 05h38

Jovem não tinha atestado médico para fazer bronzeamento

A estudante de hotelaria Andréa Santos Lindner, de 34 anos, que ficou com 98% do corpo queimado depois de se submeter a sessões de bronzeamento artificial, não tinha autorização médica para o tratamento. O atestado é uma das exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

"Marly Machado, dona da clínica, disse aos policiais que interditaram a câmara de bronzeamento na quarta-feira que desconhecia essa regra da Anvisa", afirmou o delegado Marcos Cipriano, da Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Saúde Pública (DRCCSP). "É difícil acreditar que essas normas são ignoradas por quem trabalha no ramo".

A Anvisa exige o atestado médico porque a exposição aos raios ultravioletas pode desencadear doenças, como câncer de pele. O uso de alguns tipos de medicamentos, seguido de exposição à radiação, também pode provocar reações.

Nesta quinta-feira, 29, durante vistoria da Vigilância Sanitária municipal, Marly deu outra versão aos técnicos da prefeitura. "Ela disse que o atestado é apresentado e devolvido à cliente", afirmou a diretora da Vigilância Sanitária em Serviços e Produtos para Saúde, Juliane Musacchio.

A esteticista deixou de apresentar outros documentos, como o termo de ciência dos riscos, que os clientes devem assinar, e o cadastro com duração e intervalo entre as sessões. O médico responsável pelo Centro de Estética Marly Machado foi intimado para comparecer à Vigilância Sanitária e entregar os documentos. A clínica continua parcialmente interditada.

Sessões

O marido de Andréa, o consultor de empresas Antônio Gadelha, informou que ela passou por duas sessões, nos dias 14 e 15 de março, o que é proibido pela Anvisa, que exige intervalo de 48 horas entre as aplicações.

Na quarta-feira, o advogado Diogo Souza disse que a estudante só foi atendida na clínica no dia 14 e informou que havia solicitado fitas de segurança para comprovar que Andréa não esteve lá nos dias posteriores. Souza deixou o caso. Nesta quinta Marly deu outra versão à Vigilância Sanitária municipal - apresentou uma agenda de marcação, em que constava o nome de Andréa nos dias 14 e 16.

"Não recebi nenhuma fita de segurança. Marly deveria prestar depoimento hoje (ontem), mas o novo advogado pediu um prazo. Não sei qual será a nova linha de defesa", afirmou Cipriano. O delegado desencadeou ontem a Operação Narciso. Duas equipes da DRCCSP vistoriaram clínicas e consultórios de estética.

Não foram encontradas irregularidades. A operação prossegue hoje. Andréa continua internada em estado grave no Hospital Quinta D´Or, onde chegou há 14 dias. A estudante respira por aparelhos e está em coma induzido para que possa suportar a dor.

O Estado procurou Marly Machado e seu novo advogado. No centro de estética, a atendente disse que a proprietária não falaria sobre o caso e também não informou o nome do novo advogado que assumiu o caso.

 

 

Estadão

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