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Internet rápida começa a engolir o telefone

20 Set 2004 - 13h40
 Em um mundo de conexões de internet rápida em expansão, o preço da telefonia tende a zero. As soluções de voz sobre protocolo de internet (IP, na sigla em inglês), antes restritas às redes das grandes corporações, começam a chegar à telefonia pública e, conseqüentemente, ao mercado residencial. E não se trata somente de conversar pelo computador, apesar de ser esta uma das alternativas: a telefonia via IP oferecida por empresas como GVT, Transit e Primeira Escolha funciona com um aparelho telefônico convencional, ligado a uma conexão de internet.

As três principais vantagens para o cliente da telefonia sobre internet são preço menor, portabilidade e virtualidade. Por usar o acesso à internet para a telefonia, o serviço custa muito pouco, principalmente na longa distância.

O número do telefone torna-se portátil. Associado a um endereço de rede, é levado a qualquer lugar que tenha acesso à internet. Um vendedor que passa a maior parte do seu tempo em viagem telefona para a empresa pagando sempre tarifas locais, de onde quer que tenha um acesso à internet. Esta característica pode ser aproveitada mais de forma plena por causa da virtualidade. O telefone pode ser instalado em um computador. O cliente carrega sua linha em forma de software instalado num notebook para qualquer parte do mundo. O telefone de São Paulo pode ser usado de Tóquio para São Paulo com tarifa de ligação local. Ou até de graça, dependendo do plano e da operadora.

A construtora Walter Torre Jr. testa o serviço da Primeira Escolha, combinada a uma solução de internet via satélite da Answer Telecom. "A solução é fundamental", afirmou o gerente de Tecnologia da Informação da construtora, Willians Geraldini. "Preciso reduzir o custo das minhas obras."

Sediada em São Paulo, a empresa tem muitas obras na Região Nordeste. Ele citou o exemplo de uma construção em Ipojuca (PE), que gasta cerca de R$ 10 mil mensais em telecomunicações. Os interurbanos equivalem 80% do total. As ligações para São Paulo respondem por R$ 4 mil. "Com a voz sobre IP, podemos reduzir a zero o preço das chamadas para São Paulo", explicou Geraldini. "O investimento se paga em dois ou três meses."

Revolução

Quando o engenheiro Paul Baran escreveu o estudo Sobre a Computação Distribuída, no começo dos anos 1960, não sabia a revolução que estava iniciando. Ele trabalhava para a Rand Corporation, contratada do Departamento de Defesa americano. Seu relatório foi uma resposta ao desafio de criar um sistema de comunicação descentralizado, em que vários computadores diferentes se conversassem, sem a necessidade de uma conexão direta e dedicada entre cada um deles.

A rede telefônica convencional funciona por comutação de circuitos. Quando acontece a chamada telefônica, é estabelecida uma conexão física entre os dois telefones. As centrais telefônicas automatizadas fazem como faziam as telefonistas, que conectavam com um cabo dois pontos de sua mesa telefônica.

Na comutação de pacotes, imaginada por Baran, a solução é diferente. Existem várias rotas possíveis de conexão entre dois pontos que se comunicam. A mensagem é dividida em pacotes de informação, cada um deles com o endereço que precisa alcançar, como envelopes de cartas. Os equipamentos de rede verificam, a cada momento, qual a melhor rota para cada um dos pacotes, e os enviam por meio dela. Os pacotes chegam ao outro ponto por caminhos diferentes e só então a mensagem é remontada.

Pensada no contexto da Guerra Fria, a tecnologia permitia à rede continuar funcionando mesmo se algumas conexões ou equipamentos fossem colocados fora de operação. O estudo de Baran acabou dando origem à internet, que trouxe, com a voz sobre IP, o maior desafio às operadoras dominantes de telecomunicações. Estas empresas relutam em oferecer serviços de voz sobre IP para o cliente final, o que significaria perder receita para manter assinantes. Apesar disso, já usam largamente a tecnologia em sua rede de transporte, que liga distâncias maiores. O Super 15, longa distância da Telefônica, adota a voz sobre IP em suas chamadas fora do Estado de São Paulo. "A Telefônica foi pioneira entre as grandes operadoras brasileiras a utilizar a tecnologia IP em sua rede e está preparada em termos tecnológicos para a oferta de serviços de voz sobre IP quando for adequado a seus clientes", informou a operadora.

Alcance

Pelos custos menores, a voz sobre IP permite ampliar o alcance do serviço telefônico. A Transit Telecom começou um piloto em um condomínio a cerca de 15 quilômetros de Campinas, sem atendimento de telefonia fixa ou celular. "O lançamento foi há um mês e temos 50 clientes", informou o diretor de Tecnologia da Informação da operadora, Alexandre Alves. O cliente precisa assinar uma conexão à internet via rádio. Sobre esta conexão, a Transit oferece a linha telefônica. A instalação custa de R$ 150 a R$ 400. Segundo Alves, a Telefônica cobraria R$ 12 mil por assinante para levar linhas convencionais para o local.

"As concessionárias têm muito a perder", afirmou o vice-presidente de Marketing e Vendas do Mercado de Varejo da GVT, Rodrigo Dientsmann. As concessionárias são a Telefônica, Telemar, Brasil Telecom e Embratel. A GVT surgiu para competir com uma delas, a Brasil Telecom, mas atua em cidades fora de sua área original, como São Paulo e Rio de Janeiro.

 

 

 

Estadão

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