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Brasil

Inflação deve influenciar BC a manter juro em 16% ao ano

21 Jul 2004 - 07h04

A alta dos preços e das perspectivas inflacionárias deve levar o Banco Central a manter os juros brasileiros pelo terceiro mês seguido em julho, uma decisão que tem respaldo também nos números mais fortes de atividade econômica, mostrou uma pesquisa da Reuters. A segunda parte da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) acontece na tarde desta quarta-feira. O resultado da decisão será divulgado após as 18h.

Todas as 20 instituições financeiras ouvidas prevêem que o Comitê de Política Monetária (Copom) deixará a Selic em 16% na reunião de 20 e 21 de julho.

"Fundamentalmente é inflação. O cenário externo deu uma melhorada, o câmbio se apreciou, mas a inflação vai exigir cautela", afirmou Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve em junho a segunda maior taxa do ano, de 0,71%.

Economistas prevêem que a inflação seja ainda maior neste mês, em razão dos preços administrados e da retomada do consumo interno, que abre espaço para repasses.

"Vamos ter preços administrados agora e a demanda doméstica está em recuperação... então o BC não pode sinalizar que aceita inflação", disse a economista-chefe do Bes Investimentos, Sandra Utsumi.

Adauto Lima, economista do Banco WestLB do Brasil, lembrou que os bons dados recentes da economia - como produção industrial, PIB e emprego - abrem espaço para que o "BC espere um pouco para avaliar o impacto (sobre a inflação) dos cortes de juros já feitos anteriormente".

ESPAÇO DE QUEDA REDUZIDO

A sondagem mostrou ainda que a maioria dos economistas vê espaço reduzido para corte dos juros, que seria de no máximo 1 ponto percentual entre agosto e dezembro. Quatro acham que os juros vão encerrar 2004 no atual patamar de 16%.

"A demanda (doméstica) está mesmo se recuperando. O BC vai ser conservador para não deixar a inflação acelerar", disse Massaru Nakayasu, economista-chefe do Banco de Tokyo Mitsubishi.

Entre os que apostam em corte, 7 acreditam que a Selic acabará o ano em 15,5%, 6 vêem 15% e um aposta em 15,25%. Dois não responderam.

Se houver reduções na taxa, devem ocorrer apenas no quarto trimestre, afirmaram os analistas.

Participantes: Banco de Tokyo Mitsubishi, Sul América Investimentos, ING, Tendências Consultoria, Banco WestLB do Brasil, Finabank, Banco Prosper, AGK Corretora, Global Invest Asset Management, Bes Investimentos, Interamerican Express, Banco Safra, Brascan, Rabobank, corretora Clickinvest, Global Station, Banco Schahin, Gap Asset Management, Ágora Senior, ABN Amro.

 

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