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27 de Setembro de 2004 15h11

Indústria restringe operação de compra antecipada de soja

Escaldadas com o calote tomado na safra passada, as esmagadoras de soja estão reformulando as operações de compra antecipada - que respondem por quase 60% de toda soja vendida no Brasil.

As operações privadas de crédito e financiamento, que envolvem antecipação de dinheiro - como "soja verde" ou troca por adubos - foram mantidas, porém aquelas que não envolvem crédito imediato foram postas em quarentena por algumas indústrias, como a Cargill. Para outras, como a Coinbra, a solução foi simplesmente abolir esse tipo de contrato. Estão no olho do furacão as operações de venda futura, em que a soja é entregue na colheita contra o pagamento, por um preço previamente acertado.

A decisão foi tomada na rasteira dos processos judiciais que sojicultores estão movendo contra a indústria. Os agricultores se sentiram prejudicados porque no ano passado os contratos foram fechados por um preço fixo médio de US$ 10 a saca, mas na hora de honrar o acertado, o preço havia subido para US$ 17 e alguns decidiram entrar na Justiça. Estima-se que em 2003/04 deixaram de ser entregues quase 1 milhão de toneladas. O prejuízo foi estimado em R$ 1,2 bilhão.

"Nesta safra, não vamos fazer nenhuma operação de venda futura", diz Thimoty Carter, diretor da Coinbra, empresa do grupo Louis Dreyfus. "Não temos segurança jurídica para continuar fazendo esse tipo de contrato", afirma. A Coinbra pretende esperar o julgamento dos processos que estão correndo na Justiça, o que pode levar anos.

Armazém da Cargill

"Quem não pagou nunca mais vai fazer negócios com a Cargill", diz José Luiz Glaser, diretor da multinacional americana. A posição da Cargill é tão séria que recentemente a empresa simplesmente fechou seu único armazém (com capacidade para 50 mil toneladas) que tinha na cidade de Edéia (GO), epicentro das ações judiciais que questionam os contratos de venda futura de soja.

Glaser lembra que os contratos de venda futura são de risco. "O produtor pode ter se sentido prejudicado nos últimos dois anos, mas em anos anteriores a indústria também teve que cobrir prejuízos e nem por isso deixou de honrar suas obrigações". A Cargill quer continuar a realizar a compra futura, mas para isso segmentou os produtores de acordo com o risco que oferecem.

A decisão de abolir ou reduzir drasticamente as operações de venda futura deve afetar com mais intensidade os produtores do Centro-Oeste, sobretudo os de Goiás. Historicamente, entre 40% e 50% da safra goiana é comprometida com esse tipo de operação.

Por enquanto, o relacionamento entre indústria e agricultores continua amigável porque, com a atual situação de mercado, o produtor não tem vontade de vender - e nem a indústria tem vontade de comprar.

A indústria, na expectativa de uma safra recorde de 61,5 milhões de toneladas - conforme prevê a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) -, não tem urgência para negociar.

Já o produtor ainda tem fresco na memória que as operações de venda futura não foram bom negócio nos últimos dois anos. Além disso, ele está capitalizado e aposta numa alta dos preços da soja ainda neste ano. Por isso, ele estaria na verdade adiando a decisão de fixar suas posições de venda.

De acordo com Rodrigo Nerger, analista da Céleres, 9% da safra foi negociada antecipadamente, ante 39% registrados em igual período do ano passado. O dado as operações que envolvem crédito antecipado ("soja verde" e troca por adubo) e as que não envolvem crédito imediato (venda futura). "A comercialização está muito difícil, mas ainda há tempo para o produtor firmar sua posição com a indústria", afirma.

Fábio Meneghin, da Agroconsult Consultoria, acredita que a comercialização antecipada da safra pode esquentar nas próximas semanas com a expectativa de aumento dos preços em Chicago. "A China recusou cargas brasileiras no início do ano e, na época, seus estoques eram suficientes para o consumo de 120 dias. Esse prazo está vencendo agora e coincide com a colheita da safra americana", diz Meneghin. "A China deve voltar a comprar no mercado internacional e o Brasil pode se beneficiar com isso", afirma.

Para César Borges, vice-presidente da Caramuru Óleos Vegetais, a comercialização pode ser "sui generis" na safra 2004/05. "Pela primeira vez em muitos anos, o produtor vai plantar sem saber quanto vai receber", diz. "Infelizmente, é um retrocesso na comercialização".
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