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24 de Setembro de 2004 07h13

Impasse continua e greve dos bancários chega ao 10º dia

A greve dos bancários continua nesta sexta-feira, chegando ao décimo dia de paralisação. O movimento atinge 24 capitais e 105 sindicatos do interior. Representantes da categoria têm reunião marcada com o Ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, às 15h, em Brasília, para denunciar o desrespeito dos banqueiros ao direito de greve dos trabalhadores. Segundo a Confederação Nacional dos Bancários (CNB), cerca de 200 mil bancários aderiram ao movimento.

A audiência com o ministro do Trabalho foi solicitada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo e terá a participação do presidente da CNB/CUT, Vagner Freitas, além dos presidentes dos sindicatos de São Paulo, Luiz Cláudio Marcolino, e de Brasília, Jacy Afonso de Mello.

Ontem, o presidente da CNB reuniu-se com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, também para denunciar a postura dos bancos.

O ministro destacou que o STF é a última instância recursal e, por isto, nunca julgou o mérito de um interdito proibitório - instrumento jurídico por meio do qual as instituições financeiras vêm reclamando o direito de propriedade, obrigando os bancários a retornar ao trabalho e os grevistas a permanecer longe das agências.

Segundo Jobim, está em estudo uma medida que permitiria ao Supremo julgar matérias constitucionais sem que tenham de passar antes por outras instâncias.

De acordo com o sindicato, em diversas cidades os bancos vêm se utilizando medidas judiciais e utilizando força policial contra os trabalhadores. " O Sindicato vai enviar carta à Secretaria de Segurança Pública. Não concordamos com esse tipo de ação policial que usa de violência contra os trabalhadores", diz o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino. "A greve dos bancários é pacífica e queremos que permaneça assim. Os trabalhadores querem conquistar melhores salários e estão se manifestando por meio do seu livre direito de greve", completou.

Ontem, 329 agências da capital paulista, Osasco e região não funcionaram. A paralisação de grandes concentrações, como o Centro Técnico Operacional (CTO) do Itaú, elevou o número de bancários em greve, que já chega à casa dos 30 mil.

Hoje, os bancários fazem nova passeata na capital paulista, desta vez pelas ruas do Centro. A concentração será na Praça Ramos em frente ao Teatro Municipal. Os trabalhadores percorrerão as principais ruas da região, farão manifestação em frente à Federação Nacional dos Bancos e encerram a passeata na Praça do Patriarca, onde acontece a assembléia da categoria para deliberar a continuidade da greve.

A Fenaban mantém a proposta, já rejeitada pelos bancários, de reajuste salarial de 8,5%, com participação nos lucros de até 80% do salário. Os grevistas querem 25%, incluindo aumento real de 17,68% nos salários, além de participação nos lucros de até um salário, mais R$ 1.200.

 

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