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Brasil

HU pode fechar por falta de verba, alerta secretário de Saúde

14 Mai 2007 - 15h29
A primeira grande crise financeira que abala o HU (Hospital Universitário) de Dourados desde o início das suas atividades, em julho de 2004, poderá provocar o fechamento da unidade e prejudicar pelo menos mil pessoas que buscam atendimento médico na unidade hospitalar diariamente. O alerta de um possível fechamento foi feito sexta-feira pelo secretário municipal de Saúde de Dourados, João Paulo Esteves.

A crise se arrasta desde março do ano passado quando o ex-governador Zeca do PT suspendeu os repasses mensais de R$ 400 mil para a instituição. Esteves disse ao Diário MS que o impasse ocorre até hoje porque o governador André Puccinelli (PMDB) ainda não se manifestou a respeito da retomada dos pagamentos. O convênio é uma forma de financiamento pactuado pela comissão Tripartite pouco antes de o HU entrar em atividade.

“A situação está insustentável. A única saída é o Estado retomar os repasses. Caso contrário, em três meses o HU terá que parar de prestar atendimento à população”, anunciou Esteves.

Ele disse que não entende o motivo de o Estado não estar repassando verbas para Dourados, que presta atendimento a pacientes de 35 municípios do Sul do Estado. “Em Campo Grande todos os hospitais recebem recursos do governo. No entanto, Dourados recebe simplesmente ‘zero’ em recursos do Estado”, criticou. Os recursos para o Hospital Evangélico, que mantém o Hospital da Mulher – que recebia algo em torno de R$ 140 mil – também foram cortados, segundo Esteves.

O secretário disse que os únicos recursos que ainda sustentam o HU vêm do governo federal que repassa R$ 600 mil e a Prefeitura de Dourados, mais R$ 200 mil.

DÍVIDAS
Com o bloqueio de repasse do Estado, o HU está com dívidas com fornecedores em atraso. Ao todo, a dívida do hospital chega a R$ 320 mil, sem contar a conta de energia elétrica que não é paga desde janeiro deste ano e que deve chegar a R$ 200 mil. Caso o governo do Estado não repasse a verba, a folha de pagamento poderá começar atrasar e faltar medicamentos, segundo a diretora administrativa do HU, Dinaci Marques Ranzi.

O HU realiza diariamente 1.200 procedimentos entre consultas, exames e cirurgias. 45% dos procedimentos são feitos a pacientes de cidades da região Sul do Estado.

Dinaci explica que no começo do ano as causas da crise do HU foram informadas ao Ministério da Saúde, que cobrou providências da Secretaria Estadual de Saúde. A secretária estadual, Beatriz Dobashi, teria respondido através de um documento enviado em janeiro deste ano ao Ministério da Saúde, que reconhecia o atraso e que iria retomar o repasse em breve. No entanto, segundo a diretora, até agora o HU não recebeu qualquer manifestação de pagamento.

Diante do impasse, Dinaci explica que o município teve que entrar na justiça contra o Estado para que retomasse o pagamento. Ação foi julgada em favor do governo do Estado, sob justificativa de ilegalidade nos repasses dos recursos. O município recorreu e espera o resultado da ação.

“Eu acredito que o governo vai se sensibilizar com a situação e retomar o pagamento dos recursos porque não existe como o HU – uma estrutura tão grande – se manter sem essa ajuda financeira”, afirmou Dinaci.
 
 
 
Diário MS

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