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Brasil

Guerra interna fez Lula demitir diretores dos Correios

20 Set 2010 - 17h20Por Folha Online

Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou a decisão de demitir, a 60 dias das eleições, o então presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, e o diretor de gestão de pessoas, Pedro Magalhães Bifano, sabia que, além do descalabro administrativo, havia uma guerra de facções prestes a explodir na estatal, informa o "Painel" da Folha, editado por Renata Lo Prete (íntegra somente para assinantes do jornal e do UOL).

Segundo a coluna, pouco antes da degola, Custódio e Bifano tiveram uma briga feia, em que trocaram todo tipo de acusações. Foi numa reunião de diretoria, e a gravação do encontro foi mostrada a Lula, que então concluiu que a situação era insustentável.

Na ocasião, Lula também demitiu o diretor de Operações dos Correios, Marco Antônio Marques de Oliveira. Sua vaga foi ocupada pelo coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva. Hoje, no entanto, o coronel apresentou sua carta de demissão do cargo após ter seu nome envolvido nas acusações que derrubaram a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra.

Silva tinha ligações com a empresa MTA Linhas Aéreas, pivô da queda, e estaria atuando para transformá-la na empresa de carga aérea oficial dos Correios após as eleições. Silva seria ainda o testa de ferro do empresário argentino Alfonso Rey, dono da MTA.

Erenice deixou o governo na semana passada após reportagem publicada pela Folha na qual sócios da empresa EDRB, de Campinas (SP), acusam seu filho Israel e um assessor de pedir R$ 240 mil mais 5% de comissão para agilizar a liberação de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

A revista "Veja" também trouxe reportagem que aponta que o filho da ministra e a empresa Capital Assessoria e Consultoria Empresarial, à qual é ligado, fizeram lobby para ajudar a MTA a obter a renovação de uma concessão da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Na última sexta-feira, a Comissão de Ética Pública da Presidência entendeu que Erenice cometeu falta ética e aprovou, em votação unânime, a aplicação de censura à ex-ministra. Ela deixou de apresentar à comissão documentos com informações sobre a sua evolução patrimonial e relação de parentes ocupando cargos públicos.

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