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Brasil

Greve na Saúde paralisa 90% dos leitos em Alagoas

23 Jul 2004 - 07h18
O diretor-geral do Hospital Universitário (HU) de Maceió, João Macário, afirmou, ontem, que 90% dos serviços de pré-natal, pediatria e puericultura estão paralisados com a greve dos servidores técnico-administrativos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), segundo jornal Gazeta de Alagoas.

De acordo com ele, apenas o pronto-atendimento pediátrico, para os casos de emergência, está sendo mantido. A direção do hospital decidiu também suspender a marcação de consultas para esses setores. Ontem, todos os oito consultórios para atendimento pré-natal estavam fechados e os corredores vazios. As gestantes em situação de risco, com sangramento, estão sendo encaminhadas para a maternidade, que está funcionando normalmente.

A greve dos servidores obrigou ainda a direção do HU a reduzir em 30% o número de leitos para internamentos. Esta semana, dos 176 leitos disponíveis, apenas 124 estavam ocupados. O diretor-geral do hospital estima que dos 650 servidores técnico-administrativos lotados no HU, pelo menos 30% não estão trabalhando, a maioria auxiliares de enfermagem.

Com a paralisação ontem no setor de Pediatria, apenas uma servidora fazia o atendimento das pessoas que já tinham consultas agendadas. Josilene Júlio da Silva veio de Rio Largo para fazer a consulta da filha Josie Mirelle Júlio da Silva, de dois meses. Para sua sorte, a consulta agendada há um mês não foi cancelada. A greve prejudica também o setor de puericultura, que possui o único laboratório público do Estado para atendimento de crianças com hidrocefalia.

O diretor-geral do HU garantiu que o atendimento de pacientes que precisam de acompanhamento contínuo não foi paralisado, como o de aids, tuberculose, hanseníase, hepatite, diálise e quimioterapia, além da maternidade.

A greve dos servidores técnicos-administrativos foi deflagrada há mais de 20 dias, mas só há 15 dias começou a afetar a rotina do hospital.

Por mês, são atendidos 12 mil pacientes nos ambulatórios, o que dá uma média de 600 pessoas por dia. O número de internamentos chega a 750 por mês. Com a redução no número de atendimentos, o hospital pode ter uma perda de receita nos próximos meses. "O hospital tem como única fonte de sustento os recursos do SUS. Reduzindo os procedimentos, poderemos enfrentar problemas nos próximos meses, caso a greve se prolongue", afirma Macário. O teto financeiro do hospital é de R$ 650 mil, mas o número de atendimentos realizados pelo hospital sempre extrapola esse valor.

Macário diz que o governo precisa encontrar uma solução para atender às reivindicações dos servidores das universidades. "A maioria dos servidores está em situação de penúria, cheios de dívidas, com os cheques especiais estourados e muitos estão nas mãos de agiota", afirma.

Esse quadro acaba gerando uma situação de estresse, que se reflete no grande número de servidores que pedem afastamento do trabalho por problemas de saúde.

 

Terra Redação

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