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Greve dos professores completa 50 dias em Alagoas

10 Mar 2007 - 10h40

 

A greve dos professores públicos de Alagoas completou 50 dias na sexta-feira sem solução para o impasse entre o governo e o Sindicato dos Trabalhadores de Educação (Sinteal), que reúne 10 mil professores. Apesar da greve, 25,4 mil alunos foram matriculados para o ano letivo de 2007, garantindo recursos de R$ 30 milhões do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

Enquanto as negociações não avançam, o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), que se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva essa semana, ouviu da boca dele a seguinte pergunta: "Téo, se havia tantos problemas no Estado, como é que você aceitou ser candidato ao governo?"

O reajuste do funcionalismo foi concedido pelo governo anterior, que deu aumento de 100% aos professores. Em entrevista ao Terra, o vice-governador, José Wanderley Neto (PMDB), afirmou que, caso fosse paga a totalidade dos reajustes salariais, não haveria mais dinheiro para o funcionamento das escolas públicas. "Elas teriam que fecham as portas", afirmou. Confira a entrevista:

Os professores pedem aumentos salariais concedidos por lei no ano passado e reclamam que o corte do ponto, decidido pela Justiça, vem atrapalhando as negociações para o fim da greve com os professores. O governo não dialoga com os professores?
O Governo fez uma proposta e aguarda uma contraproposta. Nossa proposta é dar 60% de aumento e, em setembro, veremos as possibilidades de o governo arrecadar. Então, saberemos quando completar o restante, os 40%.

Uma greve da educação no Estado com maior número de analfabetos e distorção idade/série não revela falha do governo em resolver rapidamente este problema?
O governo não se sente responsável. Seria responsável se tivesse os recursos e não pagasse por uma vontade própria ou por não querer. O governo tem feito um esforço enorme para concretizar uma proposta. Para dar estes 60%, reduziríamos a verba destinada ao custeio da educação e faríamos um esforço enorme para repor o orçamento de manutenção das escolas, senão elas não vão funcionar.

O governo resiste nas negociações?
Não. Temos jogado claro, só temos isso para dar. Não tem outra solução, se não houver acordo, a tendência do governo é retirar a proposta e cumprir a decisão da Justiça, que tornou a greve ilegal e determinou o corte do ponto.

Se existe um rombo de R$ 408 milhões nos cofres públicos, quem fez isso?
São despesas que foram feitas e que não se conseguiu pagar. O governador Teotonio Vilela Filho não é o pai disso. Não queremos procurar culpados, isso não resolve o problema. Temos mais de R$ 300 milhões a pagar que o governador declarou moratória. Ainda não temos uma solução para isso. Foram dívidas contraídas, supõe-se que sejam legítimas e estão sendo auditadas: comida para presídio, remédios para os hospitais. Isso terá de ser pago. O raciocínio do governador é que temos problemas graves e que vamos resolver. Arranjar culpados não resolve o problema.

 

 

Terra

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