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20 de Setembro de 2004 17h27

Governo sinaliza novos investimentos em pesquisa do Algodão

Produtividade, custo da produção e, principalmente, qualidade do produto. Esse é o tripé sobre qual o êxito do cultivo do algodoeiro está apoiado. Mais do que isso, um dos grandes desafios da cotonicultura está na produção de fibras de alta qualidade.

Foi exatamente para discutir meios de se alcançar esse êxito e superar alguns obstáculo que, em muitas vezes, interrompem esse processo que a Empresa Brasileirda de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Agropecuária Oeste), em parceria com o governo, através da Secretaria de Estado da Produção e do Turismo (Seprotur), e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), coordenou na semana passada, em Dourados, reunião de trabalho para estudar os meios de como o governo do Estado poderia contribuir para a expansão da cultura em Mato Grosso do Sul. Resumidamente, uma sugestão foi unânime, como apontou o responsável pelo encontro, o pesquisador da Embrapa, Fernando Lamas: “O melhor caminho estaria na pesquisa.”

De acordo com os dados da Fundect, 16 linhas de pesquisas na cultura do algodão estão sendo financiados pelo governo, sendo que alguns já foram até concluídos, um investimento aproximado de R$ 410 mil. Mas, segundo o diretor científico da fundação, Teodorico Sobrinho, o fomento não deve parar por aí. “Precisamos de mais profissionais capazes de costurar novos projetos. Já demos o sinal verde. O dinheiro está aí. Só estão faltando boas propostas”, explica.

O superintendente de Agricultura e Pecuária da Seprotur, Benedito Mário Lázaro, também acredita na potencialização de cada uma das instituições parceiras no campo da pesquisa. “Inicialmente estamos pensando em uma rede integrada, onde cada parceiro vai priorizar uma demanda”, comenta Dito, ao afirmar que esta muito animado com o desempenho do agronegócio no Estado.

Até os propósitos de novos investimentos na pesquisa foram cumpridos. Ao finalizar a reunião, sete linhas de atuação já haviam sido definidas assim como os seus responsáveis. O próximo passo está na formação do grupo que terá até o dia 30 de outubro para elaborar os projetos. “Ainda não temos uma noção do quanto será investido nesses projetos, mas uma coisa é certa, os trabalhos vão começar no primeiro
semestre de 2005”, confirma Teodorico Sobrinho.


Estatísticas - Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) apontam que na última safra Mato Grosso do Sul plantou cerca de 57 mil hectares de algodão, com produção aproximada de 192 toneladas. Desse total, 43,7% estão concentrados no município de Costa Rica, que colheu 83,3 toneladas em 19,5 mil hectares.

Embora a cultura venha sendo pressionada pela baixa cotação de mercado – cerca de R$ 52,00, sendo que em contratos futuros, por exemplo, chega a R$ 58,00 ou até mesmo o topo de R$ 70,00, cotado no período da entressafra – e ainda um alto custo de produção, em que os combustíveis e fertilizantes aumentaram em 30%, o desânimo ainda não é total. “Entendemos que a cotonicultura é de extrema importância para Mato Grosso do Sul. É uma cultura que envolve alta lucratividade. Por isso precisamos repensar os conceitos e fazer algumas adaptações em nosso modelo de produção. O governo do Estado acredita em melhoras e por isso está colocando sua equipe de trabalho nessa empreitada”, frisa Benedito Mário.


Produção - É certo que os produtores precisam de informações sobre os custos de produção para tomar decisões sobre quais sistemas escolher. Foi exatamente para atender essa exigência que desde 2001, a Embrapa em Dourados vem desenvolvendo projeto, cujo maior beneficiário é o produtor. O trabalho, intitulado como “Sistemas e Custos de Produção”, vem sendo desenvolvido por um grupo de sete pesquisadores que, além de aprimorar a metodologia e a coleta de dados, comparam e estudam formas de contribuir com o crescimento da produção de algodão no Estado.

Os últimos levantamentos – safra 2004/05 – foram feitos em seis municípios de Mato Grosso do Sul: Itaquiraí, Nioaque, Naviraí, Maracaju, Chapadão do Sul e São Gabriel do Oeste. Os números apontaram um resultado que chamou a atenção dos pesquisadores: em suma um custo a cima do esperado.

Chapadão do Sul foi o município com maior custo de produção. A soma dos custos fixo e variável chegou a R$ 5.451,00 por hectare, com a margem líquida de lucro sendo frustrante: apenas R$ 27,00. Se comparado com a safra passada, o aumento é de aproximadamente 40%. Já o menor custo foi apontado em Itaquiraí, R$ 2.306,00, com uma margem líquida de R$ 544,00.

Conforme um dos integrantes do grupo, o pesquisador Alceu Richetti, algumas medidas para redução desses custos deverão ser adotadas. “Em primeiro lugar, entendemos que a interferência por parte da assistência técnica é fundamental. Caso contrário, a receita não vai ter condições de cobrir os custos”, frisa Richetti ao sugerir algumas medidas para a redução desses custos. Segundo ele, é preciso ficar de olho na adubação dessa lavoura, no manejo de pragas, doenças e plantas daninhas e, principalmente, no uso de variedades mais resistentes.

A Embrapa Algodão, por exemplo, que desenvolve pesquisas na cotonicultura desde 1989, já soma 15 cultivares de algodoeiro desenvolvidos para as regiões de cerrado e, de acordo com o chefe-geral, Robério Ferreira dos Santos, que também participou da reunião em Dourados, mais duas novas variedades serão apresentadas ainda este ano.


Pesquisa - Biotecnologia. O algodão transgênico é apenas parte dos planos da Embrapa. Com a idéia de produzir uma fibra mais resistente, a instituição está preparando para o início do próximo semestre de 2005 a primeira colheita experimental de um algodão com genes da teia de uma aranha brasileira. A novidade foi apresentada pelos pesquisadores da Embrapa durante o 50º Congresso Brasileiro de Genética, que aconteceu em Florianópolis (SC), no início do mês.

Conforme Fernando Lamas, que desenvolve projetos de pesquisa na área do algodão na Embrapa Dourados, a intenção dos cientistas é de desenvolver uma fibra mais flexível e resistente que viria a promover, inicialmente, a indústria têxtil.


Desafios - Para o vice-presidente da Associação Sul-Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampasul), Gervásio Kamitani, cinco pontos são fundamentais para assegurar um futuro de sucesso do algodão no Estado: infra-estrutura, qualidade da pluma, biotecnologia, custo de produção, linhas de crédito e marketing. “Precisamos estar preparados para superar as situações adversas. O clima, por exemplo, pode quebrar uma boa safra e frustrar quem está se preparando para investir na produção para exportação”, acrescenta Gervásio ao comentar que para a próxima safra a expectativa é de aumentar a área plantada para 100 mil hectares.
 
 
Seprotur
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