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Brasil

Governo gasta R$ 13 milhões em publicidade na TV

21 Dez 2004 - 09h17
O governo vai gastar, por meio do Banco do Brasil, cerca de R$ 13 milhões numa campanha publicitária de final de ano para destacar sete "valores" do povo brasileiro. Entre os dias 24 de dezembro e 4 de janeiro, serão veiculados em TV aberta curtas-metragens de sete diretores de destaque do cinema nacional. Cada um vai ganhar R$ 700 mil pela produção de curtas de três minutos, abordando os temas: afeto, alegria, confiança, conhecimento, fraternidade, identidade e originalidade.

Na entrevista de divulgação da campanha, realizada no Centro Cultural Banco do Brasil, os cineastas evitaram repetir críticas feitas ao longo do ano ao governo e disseram estar "orgulhosos" por fazer o trabalho para o governo. "Todos estamos a favor do Brasil", afirmou o diretor Daniel Filho, coordenador da campanha. "Exatamente", retrucou Carlos Diegues. A uma pergunta sobre o uso político dos curtas pelo governo, Daniel Filho disse que a "oposição só existe para políticos terem emprego". Ele negou, no entanto, que seu trabalho esteja "sincronizado" com a política do governo Lula.

Todos fizeram questão de ressaltar a "liberdade" em realizar os curtas. O diretor de Marketing e Comunicação do BB, Henrique Pizzolato, não detalhou, quando questionado, sobre a distribuição dos recursos. "O orçamento está na casa de R$ 13 milhões", limitou-se a dizer. Pizzolato ressaltou que o Banco do Brasil costuma gastar o mesmo volume de dinheiro nos finais de ano. Há poucos meses, Pizzolato foi criticado por comprar em nome do Banco do Brasil ingressos para um show da dupla Zezé di Camargo e Luciano, organizada pelo PT.

A platéia no auditório e parte dos cineastas reagiram com ironia quando jornalistas fizeram perguntas sobre os recursos gastos pelo banco na campanha. A atriz Baby do Brasil, que participa de um dos curtas, reagiu indignada na platéia: "Essa qualidade que está aqui merece todo o nosso respeito e aplausos, glória a Deus irmão por isso", gritou. O diretor Daniel Filho, autor do curta sobre Alegria, interveio: "Não Baby, deixa a gente falar. Minha conta está aberta para qualquer CPI".

Já o cineasta Andrucha Waddington, autor do curta "Originalidade", disse que comerciais de 30 segundos de duração saem no mercado por R$ 2 milhões. Em se tratando de curta, o dinheiro (R$ 700 mil) é até generoso, mas em termos de comercial, é muito barato", avaliou. Waddington também disse não ver problema em trabalhar para o governo. "O banco é do Brasil, não é do PT ou do PSDB."

O diretor Jorge Furtado usou cerca de R$ 120 mil da produção do curta sobre "Fraternidade" para construir cozinhas e quadras esportivas na Ilha dos Marinheiros, área carente em que rodou o filme, no Rio Grande do Sul. Mais tranqüilo que os demais cineastas, Furtado disse que era motivo de orgulho fazer um filme usado por um "governo democrático". "O governo tem o direito de usar o meu filme para o que quiser", afirmou.

Autor do curta "Conhecimento", Carlos Diegues evitou comentar sobre críticas anteriores que fez em relação à política cultura do governo. "Eu não tenho vontade de falar de política, não foi para isso que eu vim aqui", disse. "Não adianta nada a autocrítica se não tivermos auto-estima. Não concordo com essa autoflagelação."

Daniel Filho contou com a participação da filha Carla Daniel e dos pais, Juan e Mary, como atores do seu curta. O cineasta ressaltou que a campanha dos sete curtas envolveu um total de 850 profissionais de cinema. Os diretores trabalham durante 40 dias na realização dos curtas. Também participaram os cineastas Carla Camurati, Roberto Brant e Fernando Meirelles, este último não compareceu ao lançamento da campanha.

 

 

Estadão

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